A produção brasileira de etanol de milho deve chegar a 11,8 bilhões de litros na safra 2026/27, alta de 14,6% sobre os 10,3 bilhões de litros produzidos na safra anterior. A estimativa é do presidente da consultoria Datagro, Plinio Nastari.

O avanço ocorre em meio à ampliação da capacidade industrial e à abertura de novos mercados para o biocombustível. Só neste ano, a capacidade do setor cresceu 1,5 bilhão de litros, segundo Nastari.

O Brasil tem 33 usinas de etanol de milho, sendo 13 flex (que processam milho e cana-de-açúcar) e 20 dedicadas só ao grão, segundo a Datagro. O número bate com a projeção da UNEM, a União Nacional do Etanol de Milho, para 2026.

A maior parte do etanol de milho do país sai do Centro-Oeste.

Cerca de 85% a 90% da produção vem de Mato Grosso e Goiás, segundo a UNEM.

A safra que abastece essas usinas já está quase toda colhida. A safrinha de milho chegou a 98,7% da área colhida em setembro, segundo a Conab.

Além do consumo interno, o setor mira um novo mercado. O etanol pode substituir o bunker fóssil como combustível de navios. Segundo Nastari, durante três semanas não consecutivas em 2026, o etanol custou menos que o bunker para as companhias marítimas.

O Brasil já testou a ideia na prática. Em 2026, um porta-contêineres foi abastecido com etanol pela primeira vez no país, no Porto de Santos, em operação da Copersucar com a Bunker One.

A aposta segue metas internacionais. A Organização Marítima Internacional (IMO) quer reduzir em 40% a intensidade de carbono do transporte marítimo até 2030, ante 2008. No Brasil, o etanol como combustível completa 50 anos de história desde o Proálcool.

Estimativas do setor apontam que o etanol como combustível marítimo pode render ao Brasil entre R$ 75 bilhões e R$ 150 bilhões por ano em exportação, com redução de até 80% nas emissões numa rota padrão até a Europa.

A expansão do etanol de milho também tem efeito colateral. A maior demanda por biomassa para gerar energia nas usinas pressionou o preço do cavaco de eucalipto, que subiu de cerca de R$ 60 para até R$ 250 por metro cúbico em seis anos.

É um efeito que mostra como o boom do etanol de milho mexe em outras cadeias do campo, como a de biomassa florestal. A alta acompanha seis anos de expansão do setor.

O que acontece agora

No mercado interno, o etanol já é parte da mistura obrigatória da gasolina, o que sustenta parte da demanda. Desde agosto, a gasolina com 32% de etanol chega aos postos, novo patamar da mistura no país.