A Anvisa proibiu a fabricação e a venda dos suplementos NewFit, Shark Pro e Mounja Gummy, e determinou a apreensão de um lote do medicamento contra câncer Trodelvy que a agência classificou como falsificado. As decisões foram publicadas em resoluções de 17 de agosto.
São quatro produtos vetados ao mesmo tempo, por motivos diferentes apontados pela agência: substância não declarada, ausência de registro, falha de fabricação e falsificação.
Segundo a resolução da Anvisa, o NewFit — da marca RBB Top New, cujo fabricante consta do ato da agência sob o nome empresarial Romario Barbosa Bueno — tinha substâncias não declaradas no rótulo.
Ainda de acordo com a agência, testes do Laboratório de Química da Unicamp encontraram sibutramina, fluoxetina e furosemida no produto, uma combinação de inibidor de apetite, antidepressivo e diurético sem orientação médica.
O Mounja Gummy, da Bela Blue Beauty, não tinha registro, notificação nem cadastro na Anvisa, segundo a resolução. O produto foi apreendido e proibido.
Já o Shark Pro, da RCA Labs, teve toda a linha recolhida depois de uma fiscalização municipal de saúde em Capivari (SP).
A fiscalização encontrou falhas nas Boas Práticas de Fabricação, conforme o ato da agência: ausência de controle de qualidade da matéria-prima, armazenamento inadequado, falta de manutenção de equipamentos e ausência de estudos de estabilidade.
O lote falsificado de remédio contra câncer
A Anvisa também determinou a apreensão do lote 10008808 do medicamento Trodelvy, usado no tratamento de câncer.
A detentora do registro, Gilead Sciences Farmacêutica do Brasil, informou não reconhecer o lote, que por isso foi classificado como falsificado pela agência.
O Trodelvy contém sacituzumabe govitecana, substância que combina um anticorpo que se liga a células cancerígenas com um composto que age diretamente sobre elas. É um medicamento de alto custo.
O que dizem as empresas
As resoluções da Anvisa são atos administrativos de natureza sanitária: determinam proibição, recolhimento ou apreensão de produtos e não constituem decisão judicial nem imputação de crime às empresas ou às pessoas identificadas nos atos, que respondem em processo administrativo com direito à ampla defesa. Esta reportagem mantém o espaço aberto para manifestação das empresas e do responsável citados, que será publicada na íntegra caso enviada.
O que fica de alerta
O caso do Trodelvy reforça uma orientação prática para quem depende de medicamentos de alto custo: comprar apenas de distribuidores confiáveis e verificar a procedência do lote antes de usar.
Já os casos de NewFit e Shark Pro mostram como suplementos vendidos livremente podem esconder substância não declarada ou processo de fabricação fora do padrão, mesmo sem parecer produto irregular ao consumidor.





























