Aos 100 anos, Eny Villela Braga vai votar de novo neste domingo (4/10), 81 anos depois de participar da primeira eleição presidencial com voto feminino no Brasil, em 1945. Moradora de Volta Redonda (RJ), ela diz que vai votar em Lula (PT).
A primeira vez que Eny votou foi em 2 de dezembro de 1945, quando o Brasil saía de quase dez anos de ditadura. Ela tinha 18 anos.
Naquele pleito, ela escolheu Eurico Gaspar Dutra, que venceu a eleição com 55,39% dos votos e participação de 82,13% do eleitorado, segundo dados do TSE.
De lá para cá, Eny testemunhou 22 presidentes, seis Constituições e duas ditaduras.
Teve 11 filhos, netos e bisnetos. Nasceu em Alfenas (MG), viveu a Revolução de 1930 e o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, e era mãe de filhos pequenos no golpe militar de 1964.
Hoje, ela diz preferir Lula a Flávio Bolsonaro (PL) por considerar o rival uma opção pior. O motivo é o tratamento do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro à pandemia de Covid-19, quando mais de 700 mil brasileiros morreram.
Foi nesse período que um dos filhos de Eny, de 56 anos e com síndrome de Down, morreu. Ele não teve Covid, mas o isolamento no CTI, imposto pela pandemia, deixou a família marcada.
Eu queria votar no vice. Ele me parece mais simpático, mais democrático
Diz Eny sobre Geraldo Alckmin (PSB), vice na chapa registrada por Lula no TSE. Segundo ela, só descobriu depois que o vice assume a Presidência apenas se o titular morrer ou renunciar, como fez Jânio Quadros.
Eny tem rotina regrada: faz fisioterapia e fonoaudiologia em casa, além de atividades físicas duas vezes por semana numa academia para pessoas com mais de 60 anos. Consegue levantar da cadeira sozinha, mas usa andador por prudência.
Ela se informa pelo celular e lê livros digitais, mas evita a televisão. "A propaganda política atual, não gosto de ouvir", afirma.
O que muda na eleição deste ano
O TSE já julgou o registro das candidaturas de Lula e de Flávio Bolsonaro para a disputa de outubro. No próximo domingo, dia 4, Eny será levada pelos filhos até a seção eleitoral para votar mais uma vez.





























