O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ergueu uma camiseta com a frase "as Malvinas são argentinas" nesta sexta-feira (2), em ato de campanha no Rio, a dois dias da eleição. Um apoiador deu a peça, e ele a devolveu.

Segundo a CNN Brasil, o gesto não é inédito. Lula defende a soberania argentina sobre o arquipélago desde 2010, quando, à frente do Conselho de Segurança da ONU, questionou a presença britânica na região.

"Qual é a explicação geográfica, política e econômica de a Inglaterra estar nas Malvinas?", perguntou o presidente na ocasião, cobrando uma decisão das Nações Unidas sobre a disputa.

Ele repetiu a posição em março de 2024, na Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), em Kingstown, capital de São Vicente e Granadinas, quando também defendeu o fim do bloqueio econômico a Cuba.

De acordo com o Metrópoles, jornais argentinos como Clarín, El Día e TN repercutiram o gesto nesta sexta, destacando o momento a dois dias da votação no Brasil.

O Clarín observou que a tipografia da camisa lembra a bandeira erguida pelos jogadores da seleção argentina após a classificação à semifinal da Copa do Mundo deste ano, justamente contra a Inglaterra.

A relação entre Lula e o presidente argentino, Javier Milei, vive um momento de atrito aberto. Nesta quinta-feira (1º), Milei voltou a chamar Lula de ladrão outra vez e reforçou o apoio ao candidato Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.

O argentino também reabriu a disputa das Malvinas na ONU no fim de setembro, depois da descoberta de petróleo na região, e deu um prazo de duas semanas ao Reino Unido para discutir a exploração.

Mesmo sob ataque pessoal do colega argentino, Lula manteve o apoio à reivindicação sobre o arquipélago.

Por que a disputa das Malvinas ainda divide Argentina e Reino Unido?

A disputa remonta a 1833, quando o Reino Unido reafirmou o controle do arquipélago e passou a administrá-lo. As ilhas, chamadas de Falklands pelos britânicos, ficam a cerca de 500 km da costa argentina e a 13 mil km do território britânico.

O conflito ganhou dimensão militar em 1982, quando a ditadura argentina invadiu o arquipélago. A guerra durou 74 dias e terminou em vitória britânica, com 649 militares argentinos, 255 britânicos e três civis mortos.

As Malvinas têm hoje cerca de 3.660 habitantes e assembleia legislativa própria para assuntos internos.

O que acontece agora

O primeiro turno das eleições 2026 acontece neste domingo (4), quando Lula disputa a reeleição. A tensão com a Argentina não deve arrefecer: o prazo que Milei deu ao Reino Unido sobre o petróleo das Malvinas também vence nas próximas semanas.