O Flamengo pediu nesta terça (29) para entrar como parte interessada numa ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a proibição das bets, decretada pelo governo Lula em 25 de setembro. O clube estima perda de até R$ 430 milhões em 2027.

O contrato de patrocínio máster com a casa de apostas Betano soma R$ 895 milhões em 40 meses, e venceria só no fim de 2028. Com o fim das bets, esse dinheiro deixa de entrar no caixa do clube.

O prejuízo não fica só no Flamengo. O impacto estimado para o futebol brasileiro inteiro chega a R$ 2,5 bilhões, considerando os contratos de outros clubes com casas de apostas.

Uma fonte de receita que sustentava contratos bilionários desaparece de uma vez, sem prazo de transição para os clubes se adaptarem.

"Clubes que se virem", disse o presidente Lula, minimizando o impacto financeiro da medida sobre o futebol.

O governo justifica a proibição pelo aumento da ludopatia, o vício em apostas, e pelo endividamento de famílias brasileiras. Segundo o Palácio do Planalto, o país enfrentava um "desastre financeiro" que atingia centenas de milhares de apostadores, com efeito negativo até nas vendas do varejo.

A oposição vê motivação eleitoral na medida. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chamou a MP das bets de "estelionato eleitoral" contra o próprio Lula, que também recorreu ao discurso anti-apostas durante a campanha.

O Flamengo já havia estimado perda de até R$ 3 bilhões.

Outros clubes também reagem. Alguns cogitam parar o Brasileirão em protesto contra o fim das bets.

O ponto em aberto

O prazo para tirar as marcas de apostas dos uniformes terminou em 5 de outubro. O STF ainda nem julgou o mérito da ação.

Enquanto a Justiça não decide, clubes como o Flamengo ficam sem o dinheiro do patrocínio, sem saber se um dia vão recuperá-lo.