Um fornecedor de materiais didáticos denunciou que um suposto operador ligado ao ex-secretário de Educação de Minas Gerais, Rossieli Soares, tentou envolver a Fundação Theodomiro Santiago, ligada à Universidade Federal de Itajubá (Unifei), em um esquema para manipulação de licitações. Segundo o relato, a fundação seria apresentada como proponente formal em uma licitação da Secretaria de Educação, enquanto a execução do contrato ficaria a cargo de uma empresa privada.

Denúncia e investigação

A denúncia foi encaminhada ao governo do estado e está sendo investigada desde o final de 2025. O fornecedor relatou que o operador, identificado como Fernando, se apresentou como representante de Rossieli e sugeriu um aumento na margem de lucro de 15% para 37% em troca de apoio para garantir a vitória na licitação.

O empresário, percebendo a tentativa de direcionamento do contrato, decidiu informar o governo sobre o ocorrido. Ele se reuniu com Luiz Otávio Gonçalves, então secretário da Casa Civil, e apresentou documentos que evidenciavam a intenção de utilizar uma fundação pública para facilitar a contratação sem licitação.

Uso indevido da fundação

Conforme o relato, o intermediário explicou que a parceria com a Fundação Theodomiro Santiago era essencial para o sucesso no processo licitatório. O fornecedor entregou uma proposta preliminar que, segundo ele, seria submetida à Secretaria de Educação pela fundação, o que levantou suspeitas sobre o uso da entidade para contornar as regras licitatórias.

A Fundação Theodomiro Santiago, criada em 1960, tem como objetivo apoiar a Unifei e promover a pesquisa e inovação. No entanto, os documentos indicam que a fundação seria utilizada para uma compra de materiais didáticos, não vinculada às atividades acadêmicas da universidade.

Desdobramentos da denúncia

Após a denúncia, a Secretaria de Educação decidiu não prosseguir com a associação à fundação. Em vez disso, optou por aderir a uma ata de registro de preços da Fundação para o Desenvolvimento da Educação de São Paulo, resultando em um contrato de R$ 348 milhões com a empresa Fazer Educação para fornecimento de livros.

As investigações internas, iniciadas pela Controladoria-Geral do Estado (CGE), revelaram que partes das empresas envolvidas já estavam sendo investigadas em outros estados por fraudes em licitações de materiais didáticos. A inclusão da fundação no esquema levantou ainda mais suspeitas sobre a gestão de Rossieli na Secretaria de Educação.

Consequências para o ex-secretário

O caso culminou na exoneração de Rossieli Soares, que, ao comentar sua saída, afirmou que a decisão foi consensual. No entanto, a administração estadual contradisse essa versão, informando que a exoneração ocorreu devido às investigações em andamento que foram encaminhadas ao Ministério Público e à Polícia Federal.