A condenada Christa Pike, de 50 anos, sobreviveu à injeção letal aplicada contra ela na noite de quarta-feira (30), no Tennessee (EUA). Ela seria a primeira mulher executada no estado em 200 anos, e após duas doses ainda tinha batimentos cardíacos.
Pike foi condenada à morte por participar do assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, em 1995, e aguardava no corredor da morte havia 30 anos.
Mais cedo naquele dia, a Suprema Corte dos EUA havia anulado uma suspensão da pena concedida uma hora antes da execução.
Segundo testemunhas, a cortina que separava a imprensa do local de execução foi fechada e reaberta três minutos depois, com Pike ainda audível, roncando. Fechou de novo às 20h06, e o microfone foi desligado às 20h53, quando a imprensa foi retirada da sala.
Em nota, o Departamento de Correções do Tennessee disse que "seguiu rigorosamente todos os passos do protocolo de execução legal e estabelecido pelo Estado" e que a substância usada "tem se mostrado consistentemente eficaz".
Os advogados de Pike afirmaram, em comunicado, que ela "não perdeu a consciência e ainda tem batimentos cardíacos", e pediram atendimento médico. À Suprema Corte, alegaram que o procedimento causou "agonia desnecessária" e violou a proteção constitucional contra punição cruel e incomum.
Não é a primeira vez: a falha tem taxa de mais de 7%
Levantamentos acadêmicos sobre execuções nos EUA mostram que, desde 1982, quando a injeção letal virou método padrão do país, mais de 7% das aplicações tiveram problema sério. Na última década, a dificuldade mais comum foi achar veia adequada, em mais de 8% dos casos.
Casos recentes mostram a extensão do problema. Em 2022, Arizona e Alabama tiveram três execuções fracassadas cada, e o Texas outra. Doyle Lee Hamm, do Alabama, foi espetado por agulhas por mais de duas horas e meia até a equipe desistir de achar uma veia.
Joe Nathan James Jr., também no Alabama, teve a execução mais longa já registrada no país até ser concluída: cerca de três horas.
A injeção letal nasceu como alternativa mais humana à cadeira elétrica e ao fuzilamento, mas acumulou, em quatro décadas, uma taxa de falha que nenhum dos métodos antigos tinha.
Diante dessa taxa, estados como Carolina do Sul e Idaho voltaram a autorizar o fuzilamento como método de execução nos últimos anos. Segundo o Death Penalty Information Center, apenas 18 mulheres foram executadas nos Estados Unidos desde 1976.
O que a lei não responde
Os advogados de Pike apontam um vácuo que nenhum protocolo estadual do país preenche: o que fazer quando o condenado sobrevive às doses letais. Ela segue presa na Penitenciária de Riverbend enquanto os recursos tramitam na Justiça federal.






























