A adoção em larga escala de microrganismos que liberam fósforo retido no solo pode somar R$ 28,5 bilhões à receita anual da soja no Brasil, segundo estudo da Embrapa, do Ipea e do Ministério da Gestão e Inovação, publicado na Revista de Política Agrícola.

A tecnologia, chamada solubilização biológica de fosfatos, usa bactérias para tornar mais acessível às raízes o fósforo que já existe no solo, mas que fica indisponível para a planta. O estudo estima um ganho médio de 8,6% na produtividade da soja.

Quanto o produtor economiza em fertilizante

Além do ganho de receita, a mesma tecnologia pode reduzir em até R$ 15,7 bilhões os gastos com fertilizantes fosfatados químicos por safra. Somadas, receita extra e economia passam de R$ 44 bilhões por safra, segundo o estudo.

Os valores representam um cenário de adoção em escala nacional, não um resultado já alcançado por todos os produtores. O impacto em cada propriedade depende do tipo de solo, da cultivar plantada, do clima, do histórico de adubação e do manejo.

Um uso que já existe em parte da lavoura

Um inoculante desenvolvido pela Embrapa Milho e Sorgo, de tecnologia parecida, já estava presente em mais de 5 milhões de hectares na safra 2022/23, com benefício econômico acumulado estimado em R$ 2,7 bilhões até 2022.

O mercado de bioinsumos como um todo cresce no país: as vendas somaram R$ 1,82 bilhão no primeiro semestre de 2026, alta de 9,6% sobre o mesmo período de 2025, aplicadas em 46 milhões de hectares, 18,3% a mais que um ano antes.

O que acontece agora

O estudo não traz um prazo para a adoção em escala nacional da tecnologia avaliada. O avanço do uso de bioinsumos ocorre num momento em que o agro volta a puxar o PIB brasileiro, turbinado pelo desempenho da soja.