O Atlético-MG fechou parceria de cinco anos com a multinacional chinesa Huawei para modernizar a Arena MRV, em Belo Horizonte, com uso de inteligência artificial e conectividade. O acordo foi anunciado nesta segunda-feira (28) e prevê mudanças na rede de dados do estádio inteiro.

A fase de implantação da nova infraestrutura começa em novembro. A partir daí, a Arena MRV vai operar integralmente com a tecnologia da Huawei em sua rede de dados.

A SYX-AI, parceira da Huawei no Brasil, é a integradora responsável pelo projeto: desenvolve a solução, faz a implantação e acompanha a operação para garantir o funcionamento dos sistemas.

Mascote do Atlético-MG posa com torcedora mirim no gramado da Arena MRV
Torcida na Arena MRV, que passará a operar com tecnologia da Huawei a partir de novembro Foto: Galo Na Veia from Brasil/Wikimedia Commons (domínio público)

A iniciativa se inspira no Shanghai Stadium, na China, arena para 80 mil pessoas que já usa soluções da Huawei como câmeras de segurança, conectividade avançada e um centro de operações que monitora o estádio em tempo real.

O diretor de Tecnologia do Atlético-MG afirmou que o sistema vai usar "inteligência artificial para avaliar o que está acontecendo com o público e os cenários, tudo o que acontece dentro do estádio".

A expectativa do clube é transformar a Arena MRV na arena mais tecnológica da América Latina nos próximos anos, ampliando o uso de dados e IA na gestão do espaço e na interação com os torcedores.

Por que empresas chinesas estão entrando no futebol agora?

A parceria vem dias depois de o governo federal editar, em 25 de setembro, a Medida Provisória que proíbe casas de apostas de patrocinar clubes e competições esportivas no Brasil.

Com a saída das bets, empresas de outros setores avançam sobre o espaço publicitário do futebol, sobretudo chinesas. A BYD fechou três temporadas com o Bahia e estendeu contrato com o Corinthians, e a GAC patrocina o Flamengo, com logo no calção e no Maracanã.

A diferença é que o acordo do Atlético-MG não é sobre exposição de marca no uniforme, mas sobre a infraestrutura de dados por trás do estádio.

O fim do patrocínio das bets pode tirar R$ 1 bilhão do futebol brasileiro, segundo estimativa do setor. A reação dos clubes à MP não foi unânime: alguns chegaram a fazer manifesto público contra o fim do patrocínio.