A visão positiva dos brasileiros sobre a China (64%) superou a dos Estados Unidos (49%) pela primeira vez, segundo o Latinobarômetro 2026, pesquisa aplicada em 17 países da América Latina. Em toda a região, 65% aprovam a influência chinesa, contra 57% que aprovam a americana.

O instituto, sediado no Chile, entrevistou mais de 19 mil pessoas presencialmente entre 7 de maio e 17 de junho deste ano. É a primeira vez, na série histórica do levantamento, que a China aparece à frente dos Estados Unidos na avaliação da região.

No Brasil, a diferença é maior que a média regional: 15 pontos percentuais separam a aprovação da China (64%) da aprovação dos Estados Unidos (49%). O país está entre os que menos aprovam a influência americana na região.

O resultado chega num momento de tensão comercial: os EUA mantêm tarifa adicional sobre as exportações brasileiras desde 2026.

A China, por sua vez, nega qualquer interferência nas eleições brasileiras.

Por que a imagem dos Estados Unidos caiu na região?

A aprovação dos Estados Unidos caiu de 60% em 2020 para 57% em 2026, enquanto a influência negativa subiu de 28% para 37% no mesmo período. A queda coincide com o retorno de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025.

No mesmo intervalo, sete eleições presidenciais na América Latina terminaram com vitória de candidatos de direita, aponta o levantamento, cenário que a eleição brasileira de outubro também vai testar.

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A diretora do Latinobarômetro, Marta Lagos, atribui parte do avanço chinês ao fator econômico, mais do que à diplomacia.

O vazio que a China preenche é o dos bolsos, mais do que qualquer outra coisa.

afirmou Lagos, em referência aos produtos chineses mais baratos que chegam à região.

A aprovação aos Estados Unidos varia muito entre vizinhos, mostra o levantamento. O quadro abaixo compara o Brasil, o México, a Venezuela e a média da América Latina.

A Venezuela aprova mais os EUA que qualquer outro país da região: 76%. O resultado veio meses depois da captura do presidente Nicolás Maduro, em operação comandada por Trump. No outro extremo está o México, que pior avalia a influência americana: 33% positiva, 62% negativa.

A inversão medida pelo Latinobarômetro é específica da métrica de influência, não da imagem geral dos dois países. Quando a pergunta é sobre a opinião geral de cada nação, os Estados Unidos ainda lideram, com 63% de avaliações favoráveis contra 59% da China.

Costa Rica e República Dominicana são os dois únicos países da região em que a avaliação dos Estados Unidos ainda supera a da China, segundo o levantamento.