A Seara, marca de alimentos da JBS, faturou cerca de US$ 500 milhões no Oriente Médio em 2025, valor que reflete a escala da marca na região. A estratégia troca a exportação simples por fábricas dentro dos próprios países compradores.
São três unidades: duas na Arábia Saudita e uma nos Emirados Árabes Unidos. A mais nova, em Jeddah, opera desde 2025 e integra um plano de US$ 85 milhões em investimentos da JBS no país.
A fábrica de Jeddah deve dobrar de tamanho e chegar a 30 mil toneladas produzidas até o fim de 2026, abastecendo também Kuwait, Omã e os Emirados Árabes Unidos.
“Produzir localmente nos aproxima dos consumidores e nos permite desenvolver produtos mais conectados aos seus hábitos e preferências”, disse William Barbosa, CEO da Seara para Oriente Médio e Norte da África, em comunicado da empresa.
Por que construir fábricas em vez de só exportar?
A resposta está do outro lado da fronteira. A Arábia Saudita comprou cerca de 397 mil toneladas de frango brasileiro em 2025, mas persegue um plano de autossuficiência dentro da Visão 2030 do país.
O reino já produz entre 70% e 80% do frango que consome. A meta é chegar a 90% até o fim da década, com subsídios, incentivos fiscais e investimentos bilionários em toda a cadeia produtiva.
Quanto mais a Arábia Saudita produz em casa, menos ela precisa comprar fora, e é essa conta que empurra JBS e BRF para dentro do país, não apenas para o porto de embarque.
O risco já apareceu de forma concreta: em 2026, autoridades sauditas suspenderam a certificação de 11 plantas brasileiras de exportação de frango. É sinal de que o acesso ao mercado pode mudar rápido.
O Brasil também aposta na carne bovina
A carne bovina segue caminho parecido, mas ainda depende mais da exportação direta. O Brasil vendeu 50 mil toneladas de carne bovina à Arábia Saudita entre janeiro e agosto de 2026, US$ 297,9 milhões, alta de 24,9% em volume.
Dez empresas brasileiras, entre elas a própria JBS, Minerva Foods e Frigol, disputam espaço na Saudi Food Show 2026, em Jeddah. O evento reúne cerca de mil expositores de mais de 95 países.
O apetite saudita por carne brasileira também aparece no boi vivo: o Brasil exporta menos boi vivo, mas fatura recorde no exterior, sinal de que o Golfo paga mais por produto processado.
A aposta no Oriente Médio é parte de um movimento maior da JBS, que fechou neste ano uma parceria de até US$ 5 bilhões para expandir na Ásia.
A Seara já havia projetado a marca como uma das de maior crescimento durante a Copa do Mundo de 2026.
O ponto em aberto
A Arábia Saudita não escondeu a meta: 90% de autossuficiência até 2030, ante os atuais 70%-80%. Resta saber se produzir dentro do país basta para a JBS manter espaço num mercado que vai importar cada vez menos.





























