O bitcoin operou em queda de 1,40% nesta segunda-feira (28/9), cotado a US$ 83.508, segundo a Binance. A criptomoeda reagiu à falta de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, que elevou o petróleo e reforçou a perspectiva de juros mais altos.

A cotação atual está cerca de 34% abaixo do recorde histórico do bitcoin, os US$ 126.198 atingidos em 6 de outubro de 2025.

Para Pedro Fontes, analista de Research do Mercado Bitcoin, a região dos US$ 82 mil é o que sustenta a recuperação. "Enquanto essa antiga resistência permanecer como suporte, a estrutura de recuperação segue preservada, mesmo com um ambiente mais difícil", afirma.

Moedas físicas com o símbolo do bitcoin
Representação física do bitcoin (foto ilustrativa). Foto: Satheesh Sankaran/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Já CK Zheng, da ZX Squared Capital, aposta que o fim do ciclo está próximo. "Acredito que o atual ciclo de baixa de quatro anos do bitcoin está chegando ao fim. O fundo do ciclo foi praticamente atingido em junho de 2026."

O ciclo citado por Zheng se refere ao halving, mecanismo que reduz a emissão de novos bitcoins a cada quatro anos e que, historicamente, precede movimentos de alta.

Enquanto o preço recua, o dinheiro institucional aponta na direção oposta. Os ETFs à vista nos Estados Unidos receberam US$ 2,39 bilhões na última semana, a maior entrada semanal de 2026, o que devolveu o saldo acumulado do ano ao território positivo.

Isso ocorre dias depois de o Fed subir juros nos EUA no mesmo dia em que o Copom cortou a Selic, movimento oposto que ilustra o descompasso entre as duas maiores economias monitoradas pelo mercado cripto.

Fontes vê nos ETFs um sinal a acompanhar. "Ainda é cedo para afirmar que investidores estão migrando de IA para cripto, mas a combinação começa a levantar essa hipótese", diz.

"Enquanto uma das principais teses que concentrou capital durante o bear market perde fluxo, os ETFs de bitcoin registram sua semana mais forte do ano", completa o analista.

No mesmo período, a MicroStrategy comprou US$ 142,7 milhões em bitcoin, e o Citigroup fechou parceria com a Coinbase para processar pagamentos em stablecoins a grandes clientes.

Uma queda que já é familiar

Esta não é a primeira vez que o bitcoin cai neste ano. Em agosto, o ativo já acumulava queda de 32% em 2026, mesmo com o brasileiro comprando mais.

Na sexta-feira (25/9), a moeda já havia recuado à espera da decisão do Fed sobre juros.

O ponto em aberto

Os dois sinais do mesmo dia não se cancelam: o bitcoin caiu por cautela geopolítica, mas os ETFs tiveram a semana mais forte de entrada de recursos do ano.

O que deve pesar mais nas próximas semanas é o desfecho da tensão entre Estados Unidos e Irã, que segue sem sinal de solução.