O governo de São Paulo oficializou nesta quinta-feira (1º) a demissão do ex-investigador José Camilo Leonel, quase dez anos depois de ele ser flagrado por câmeras agredindo e apontando uma arma para o comerciante iraniano Navid Saysan, em uma loja nos Jardins.

O decreto foi assinado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e publicado no Diário Oficial do Estado. A medida veio depois do trânsito em julgado da condenação de Leonel pela 4ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

O crime aconteceu em 21 de janeiro de 2016, na loja Tabriz Tapetes. Leonel deu socos, empurrões e uma rasteira em Navid, pressionou seu pescoço e o ameaçou com uma arma de fogo, segundo a Justiça.

Leonel foi condenado a 11 anos, 9 meses e 10 dias de prisão, pena depois reduzida para 7 anos, 1 mês e 10 dias. Ele cumpriu o restante da punição em liberdade a partir de 2017.

Por que a demissão só saiu agora, dez anos depois?

A perda do cargo público dependia do trânsito em julgado da condenação criminal, ou seja, do esgotamento de todos os recursos possíveis. Esse processo levou quase uma década, embora a aposentadoria de Leonel já tivesse sido cassada administrativamente em 2017.

Em 2016, a advogada do comerciante, Maria José Ferreira, criticou a gravidade das acusações iniciais contra Leonel.

Esperávamos acusações mais graves, compatíveis com a gravidade dos atos que ele cometeu.

A fala é de Ferreira, dita à época do indiciamento, ainda em 2016.

O UOL não conseguiu localizar a defesa de Leonel para comentar a decisão desta quinta. O espaço segue aberto para manifestação.

Dez anos separam as imagens de câmera que correram no Fantástico da assinatura do decreto que tira Leonel do cargo.

O ponto em aberto

O intervalo entre a cassação administrativa da aposentadoria, em 2017, e a demissão formal, em 2026, mostra quanto tempo o sistema de Justiça brasileiro pode levar para fechar um processo, mesmo com as agressões registradas em vídeo.

A defesa de Leonel não foi localizada para explicar os motivos da demora nos recursos que mantiveram o caso em aberto por quase uma década.