O governador de São Paulo e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos) descartou nesta quarta-feira (30) usar linhas de crédito estaduais para socorrer clubes paulistas atingidos pelo fim dos patrocínios de apostas esportivas. Segundo ele, comerciantes e produtores rurais têm prioridade.

"A gente tem outras prioridades. Tenho pessoas que precisam mais da ajuda do Estado, tenho comerciantes que precisam da ajuda do Estado, a gente tem empresas que precisam da ajuda do Estado", disse Tarcísio, questionado após agenda de campanha nesta quarta.

Tarcísio também citou linhas de crédito já usadas para empresas afetadas pelas tarifas dos Estados Unidos e produtores rurais atingidos por eventos climáticos recentes.

Antes da medida provisória que proibiu as apostas online, 13 dos 20 clubes da Série A tinham empresas de bets como patrocinadoras máster. Em 2025, a primeira divisão recebeu cerca de R$ 1 bilhão em patrocínios do setor, segundo a CNN Brasil.

Clubes paulistas das Séries A e B se reuniram esta semana na Federação Paulista de Futebol (FPF) para discutir os contratos já firmados e buscar alternativas de patrocínio, num momento em que o fim das bets deve tirar R$ 2,5 bi do futebol brasileiro.

Um dia antes, o governo de Minas Gerais tomou o caminho contrário, num racha que já opõe Lula e os clubes desde o anúncio da proibição.

O governador Mateus Simões (Novo) anunciou R$ 32 milhões em patrocínio estatal a três clubes mineiros: Atlético e Cruzeiro recebem R$ 15 milhões cada, e o América, R$ 2 milhões.

Os recursos saem de empresas estatais mineiras (Cemig, Codemge e Codemig). Os clubes assumem contrapartidas, como investimento no futebol feminino e ingressos gratuitos a estudantes de baixa renda em jogos específicos.

O que muda para os clubes de SP

Sem ajuda estadual, os clubes paulistas seguem sozinhos na negociação de novos patrocínios para substituir as bets. A FPF discute alternativas, mas nenhuma proposta pública de substituição de receita foi apresentada até agora.

Tarcísio também expôs uma divergência com o aliado senador Flávio Bolsonaro (PL), com quem pede união no 1º turno. Flávio defende manter apostas em jogos reais, como partidas de futebol, desde que sob alguma forma de controle. O governador rejeitou a tese.

"Sou contra o jogo, acho que o jogo vende uma ilusão e as pessoas procuram por desespero, achando que vão ter um acréscimo de renda", afirmou Tarcísio.

A divergência pública entre os dois aliados mostra que a proibição das bets ainda divide o campo da direita paulista.

Apesar de discordar do socorro aos clubes, Tarcísio criticou a forma como o governo federal decidiu banir as apostas. Ele chamou a medida provisória de "eleitoreira" e disse que ela gera insegurança jurídica por atingir contratos já firmados antes da decisão.

Tarcísio resumiu assim a crítica ao formato da medida:

O sofrimento das pessoas durante quatro anos pouco importou. Essas medidas podiam ter sido construídas de forma inteligente, ponderada, e não foram.

O que acontece agora

A FPF negocia com clubes e patrocinadores alternativas para os contratos interrompidos, sem prazo definido. Em São Paulo, a posição do Estado segue sendo a que Tarcísio anunciou nesta quarta: sem ajuda financeira direta aos clubes.