A pecuarista Ana Luiza Junqueira Vilela teve mantida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em decisão de 8 de setembro, a condenação por degradar uma Área de Preservação Permanente (APP) em sua fazenda em Pirapozinho, no interior de São Paulo.

A Fazenda Junqueiravi faz fronteira com a Usina Hidrelétrica (UHE) Taquaruçu, no Rio Paranapanema. Depois da construção da usina, foi criado um lago artificial que exigiu faixa de terra protegida ao redor do açude.

Cerca de 700 m² dessa faixa protegida ficam dentro da fazenda particular de Ana Luiza. Ela manteve ali a criação, recria e engorda de gado de alta linhagem, além de serviços de agronomia.

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) condenou a pecuarista a encerrar a exploração do local, isolar a área cultivada, retificar o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e apresentar um Projeto de Recuperação de Área Degradada (PRAD).

A multa por descumprimento é de R$ 10 mil. Ana Luiza recorreu da decisão, mas o STJ manteve a condenação do TJSP.

O Metrópoles procurou a defesa de Ana Luiza, mas não houve retorno até a publicação da reportagem original.

Ana Luiza é filha de Antônio José Junqueira Vilela, pecuarista associado ao desenvolvimento do gado Nelore, raça bovina de corte mais importante do Brasil. Ele também expandiu a fronteira agropecuária a partir do Mato Grosso na década de 1970.

A família já havia sido alvo de investigação ambiental. Em 2016, foi alvo da Operação Rios Voadores, deflagrada pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal, pelo Ibama e pela Receita Federal.

A condenação confirma que mesmo uma faixa pequena de vegetação nativa, de menos de mil metros quadrados, pode gerar sanção judicial quando fica dentro de propriedade particular.

Casos de ocupação irregular de área protegida têm gerado acordos bilionários no país. Em setembro, o MPF fechou acordo de R$ 40 milhões com a Riviera de São Lourenço, por dano ambiental de uma década.

A fiscalização ambiental virou até tema de série documental: 'Operação Guerra Verde' retrata a atuação do Ibama contra crimes ambientais no país.

O tema também pesa nas eleições de 2026: um levantamento recente mostrou que 101 candidatos somam R$ 120 milhões em multas ambientais do Ibama e do ICMBio.

Pela decisão do TJSP, Ana Luiza tem agora de cumprir os quatro pontos da sentença. Descumprir qualquer um deles, incluindo o prazo para apresentar o PRAD, aciona a multa de R$ 10 mil.