A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou a operação Rede Interrompida contra um grupo suspeito de planejar explodir o Palácio do Planalto e o prédio do debate presidencial do 2º turno, segundo reportagem do Fantástico exibida neste domingo (9). A operação cumpriu oito mandados de busca e apreensão em cinco estados na terça-feira (4).
Nenhum dos investigados foi preso ou condenado, e a PCDF não divulgou os nomes. As informações abaixo refletem a versão da investigação policial, ainda em curso; até a publicação desta reportagem, não havia manifestação pública das defesas.
Segundo a investigação, o grupo se articulava em dois grupos do aplicativo Telegram, um deles com a foto de Hitler como imagem de perfil, de acordo com a reportagem. Os integrantes nunca haviam se encontrado pessoalmente, apenas pela internet.
Ainda conforme a apuração policial, o maior grupo reunia mais de 600 pessoas. Quem se radicalizava era convidado a um núcleo restrito, de 46 integrantes, que trocava instruções em vez de apenas ideias.
"Não eram práticas inocentes. O que estava ali sendo engendrado eram atentados sérios", afirmou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, em entrevista coletiva na sede do MJSP, em Brasília.
Segundo o delegado Maurílio Coelho, coordenador de inteligência da PCDF, os investigados teriam compartilhado a planta baixa do Palácio do Planalto. "A planta deles é assim, a gente pode entrar por aqui, sair por aqui", descreveu o delegado.
A investigação começou na primeira quinzena de junho, a partir de um relatório do Ciberlab, laboratório de operações cibernéticas da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).
De acordo com o MJSP, o órgão monitorou as conversas abertas no Telegram e identificou manuais de fabricação de explosivos e coquetéis Molotov, além de cálculos de quantidade de material e custo dos ataques.
Só em 2026, o Ciberlab já produziu 103 relatórios sobre mais de 50 grupos de ódio diferentes, uma medida do volume de material extremista que o órgão monitora no país.
Ainda de acordo com o Fantástico, o objetivo declarado nas conversas, segundo a apuração policial, iria além da destruição material: os investigados pretenderiam enviar, a partir de Brasília, um recado violento e antidemocrático ao país.
Perfil dos investigados e mandados cumpridos
A PCDF cumpriu os oito mandados de busca e apreensão com apoio das forças policiais de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul, segundo o delegado-geral da corporação, José Werick de Carvalho.
"As polícias desses estados participaram ativamente da operação monitorando os alvos, localizando os endereços", disse Carvalho.
Os oito investigados têm entre 19 e 31 anos, com predominância na faixa de 19 a 25, segundo a corporação. Atuam em diferentes áreas profissionais ou estão desempregados.
Nenhum deles tem antecedentes criminais.
A investigação optou por não pedir a prisão dos suspeitos nesta fase, apenas os mandados de busca e apreensão, segundo o delegado Coelho. Os nomes dos investigados não foram divulgados oficialmente, e nenhum deles foi condenado até a publicação desta reportagem.
Segundo a secretária Nacional de Acesso à Justiça do MJSP, Sheila de Carvalho, as conversas do grupo também difundiam conteúdo antissemita e misógino.
Ela citou o combate ao ódio contra mulheres nas redes como um dos maiores desafios do país e ligou o caso ao Pacto Brasil contra o Feminicídio.
A investigação segue na análise dos computadores e celulares apreendidos. Os investigados podem vir a responder por associação criminosa, apologia e distribuição de material nazista, além de incitação ao crime — hipóteses que ainda dependem de conclusão do inquérito e de eventual denúncia do Ministério Público.
Os próximos passos da investigação
A PCDF optou por não pedir prisão nesta fase, apenas os mandados de busca e apreensão dos computadores e celulares dos oito investigados. A apuração segue analisando esse material. É dele que deve sair a decisão sobre os próximos passos do caso.


























