Uma trabalhadora doméstica de 69 anos foi resgatada de condições análogas à escravidão em Nova Iguaçu, RJ, após passar 52 anos sem receber salário. O resgate ocorreu em 14 de julho, durante uma operação coordenada pelo Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ), com a participação de auditores-fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e apoio da Polícia Federal (PF).
De acordo com as investigações, a mulher começou a trabalhar na residência há mais de cinco décadas, realizando todas as tarefas domésticas, cuidando do filho dos empregadores na infância e, posteriormente, da própria empregadora, que enfrenta problemas de saúde. Durante todo esse período, ela não recebeu qualquer remuneração, não teve a carteira de trabalho assinada, não possuía plano de saúde e não concluiu os estudos.
A operação foi desencadeada após uma denúncia, e o MPT reuniu provas e obteve autorização judicial para entrar na residência. Após a fiscalização, foi firmado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com os empregadores, que prevê o pagamento de R$ 500 mil em verbas rescisórias e indenizações, além de uma pensão mensal vitalícia de 75% do salário mínimo, estimada em R$ 145 mil. O acordo também inclui o recolhimento do FGTS referente ao período de outubro de 2015 até a data do resgate.
Após ser resgatada, a trabalhadora foi levada para um local seguro, onde recebe acolhimento e acompanhamento. A procuradora do Trabalho, Tathiane Menezes, ressaltou a importância das denúncias e da atuação conjunta dos órgãos públicos no combate ao trabalho escravo contemporâneo, especialmente no setor doméstico, onde a exploração costuma permanecer invisibilizada por longos períodos.




