A ampliação do programa Gás do Povo, que tem como objetivo fornecer botijões de gás de cozinha a 15 milhões de famílias de baixa renda, está provocando um aumento significativo nas projeções de consumo e gerando uma intensa disputa entre distribuidoras de gás, fabricantes de botijões e a indústria siderúrgica.

Pedido de Importação Sem Taxação

O Sindigás, sindicato que representa as distribuidoras de gás liquefeito de petróleo (GLP), solicitou à Camex, órgão do Ministério do Desenvolvimento, uma redução temporária do Imposto de Importação sobre botijões de 13 quilos. A proposta é que a tarifa de 12,6% seja zerada por um ano, permitindo a importação de até 10 milhões de unidades para atender à nova demanda criada pelo programa.

Reação dos Fabricantes Nacionais

A solicitação gerou descontentamento entre os fabricantes brasileiros, que alegam não haver risco de desabastecimento e acusam as distribuidoras de buscar abrir espaço para a entrada de botijões importados, principalmente da China. As empresas, como a Mangels e siderúrgicas como Usiminas e ArcelorMittal, contestam a necessidade de importação e defendem que a indústria nacional tem capacidade suficiente para atender à demanda.

Impacto no Mercado de Botijões

Atualmente, existem cerca de 135 milhões de botijões em circulação no Brasil, e o Sindigás projeta que a expansão do programa exigirá a colocação de 10,5 milhões de novos botijões em circulação. Isso representa aproximadamente 8% de todos os recipientes utilizados no país, com um mercado potencial avaliado em R$ 2,4 bilhões.

Capacidade de Produção da Indústria Nacional

A Mangels, principal fabricante de vasilhames no Brasil, afirma ter capacidade instalada para produzir 3,78 milhões de botijões por ano e que pode aumentar a produção sem precisar importar. Já a ArcelorMittal ressalta que a redução de tarifas poderia comprometer as medidas de proteção à indústria nacional, permitindo que produtos estrangeiros entrem no mercado a um preço mais competitivo.

Preocupações com o Comércio Internacional

O Instituto Aço Brasil expressou preocupação com o aumento das importações de aço e produtos industrializados, destacando que o Brasil já enfrenta um cenário de intensa competição internacional. A entidade alertou que a importação de botijões sem taxação favoreceria siderúrgicas chinesas, o que poderia desestabilizar a cadeia produtiva local e impactar negativamente empregos e investimentos no país.