A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) alertou que os preços dos alimentos podem sofrer pressão em 2026 devido ao aumento no preço do petróleo e ao fenômeno climático El Niño. De acordo com a entidade, esses fatores podem causar um impacto significativo na cadeia de abastecimento.

Impactos do petróleo e do El Niño

Marcio Milan, vice-presidente da Abras, destacou que a guerra entre Estados Unidos e Irã, que começou em fevereiro de 2026, já resultou em uma alta expressiva nos preços do petróleo, com o Brent e WTI alcançando US$ 120 nos primeiros dias do conflito. A incerteza sobre a abertura do Estreito de Ormuz, crucial para as exportações mundiais de petróleo, mantém os preços voláteis.

Aumento da cesta básica

Em maio, a cesta de itens básicos apresentou uma alta de 2,16%, elevando o seu valor médio para R$ 854,91. No acumulado do ano, a alta chega a 6,82%. Produtos como feijão, arroz e leite longa vida estão entre os que mais pressionaram os preços, com aumentos significativos observados.

Fenômeno climático

O El Niño, previsto para intensificar-se no segundo semestre de 2026, vem sendo monitorado de perto pela Abras. Milan apontou que sua intensidade deve chegar a 63%, tornando-se um dos mais fortes desde 1950. Esse fenômeno poderá impactar a produção de alimentos, elevando ainda mais os preços de itens como batata, tomate e cebola.

Variações regionais

Regionalmente, o Nordeste apresentou um aumento de 2,79% nos preços, com a cesta básica alcançando R$ 772,51. Em contrapartida, o Norte registrou o maior custo, com a cesta atingindo R$ 939,79. Apesar da inflação nos alimentos, o consumo das famílias tem demonstrado crescimento em comparação ao ano anterior.

Expectativas de consumo

Em maio, o consumo aumentou 3,93% em relação ao mesmo período do ano passado, impulsionado por fatores como a restituição do Imposto de Renda e o pagamento de benefícios sociais. Essas variáveis têm contribuído para um consumo mais robusto, mesmo diante da inflação.