No dia 8 de julho, o governo russo decidiu suspender a exportação de diesel, uma medida que se estenderá até o final deste mês. Essa decisão está diretamente relacionada aos recentes ataques da Ucrânia ao sistema energético da Rússia e pode ter repercussões significativas para o mercado brasileiro, que é um dos principais importadores do produto.

Impactos da Decisão

A suspensão foi anunciada durante uma reunião do presidente Vladimir Putin com seu gabinete, onde foram discutidos os efeitos dos ataques aéreos ucranianos. Esses ataques já afetaram severamente a produção de petróleo da Rússia, que é um dos maiores fornecedores globais dessa commodity, empatando com a Arábia Saudita.

Na mesma data, três refinarias russas foram alvo de bombardeios, e a maior unidade de refino do país, localizada em Omsk, teve que interromper suas atividades. Apesar das dificuldades, Putin assegurou que o sistema energético russo é robusto, embora dados de consultorias indiquem uma queda de 25% na produção de derivados e de 15% nas exportações de petróleo cru em junho.

Reação do Setor Energético

Alexander Novak, o czar energético da Rússia, comentou que o veto tem como objetivo aumentar a oferta de diesel no mercado interno. Ele também mencionou que o país planeja importar derivados enquanto a crise persistir, uma estratégia incomum para a Rússia. Os envios da Bielorrússia, aliada da Rússia, aumentaram consideravelmente desde o final de junho, aumentando a pressão sobre o mercado energético.

Desde o início da guerra na Ucrânia, a Rússia tem buscado novos mercados para seus produtos, especialmente após as sanções impostas pela Europa, que anteriormente era seu principal destino. O Brasil se beneficiou dessa mudança, aproveitando os descontos oferecidos pelo Kremlin.

Posição do Brasil no Mercado

Embora as importações de diesel russo tenham diminuído em 2023, em maio, esse produto representou 75% das importações de diesel pelo Brasil, atendendo cerca de 30% da demanda interna, com o restante vindo da Petrobras. Atualmente, o Brasil é o terceiro maior comprador do diesel russo, atrás apenas da China e da Turquia.

Possíveis Consequências Futuras

Os contratos de longo prazo para embarques de diesel tornam improvável que a suspensão até o dia 31 deste mês cause grandes mudanças nos preços no Brasil. No entanto, se o veto for prolongado e surgirem novas tensões geopolíticas, como um aumento de hostilidades entre Estados Unidos e Irã, a normalização do fornecimento de diesel pode ser ainda mais complicada, afetando o mercado brasileiro.