Quase 15 mil pedidos de ultrassonografia, colonoscopia e endoscopia aguardam atendimento pelo SUS em Araraquara (SP), segundo levantamento da prefeitura feito em setembro. Pacientes relatam meses de espera por consultas com especialistas enquanto convivem com dor e o risco de agravamento.

O caso do aposentado João Bruscino Filho mostra o impacto da demora. Há dois meses, ele sentiu fortes dores nos rins e urinou sangue, foi levado pelo Samu à UPA e passou por oito dias internado entre Araraquara e São Carlos.

Com a filtragem do rim falhando, ele foi encaminhado para consulta urgente com nefrologista. Dois meses depois, ainda não foi chamado nem tem previsão de data.

Paciente realiza exame de imagem em unidade do SUS
Fila de exames de imagem no SUS é problema em várias cidades do país; foto de arquivo mostra atendimento em outra unidade da rede pública — Foto: José Cruz/Agência Brasil
Encaminharam para um nefrologista, só que isso tem dois meses e eu não consigo mais passar pelo nefrologista porque não marca. A probabilidade de aumentar é maior e de amanhã eu ser obrigado a fazer uma hemodiálise porque não tratou na época certa.

A faxineira Maria José Pereira viveu demora parecida. Ela esperou quase dois anos por uma ressonância magnética, por causa de dores fortes nas costas, pernas e braços.

Quando o exame saiu, apareceram seis hérnias de disco, bursite na lombar e bico de papagaio. Maria está afastada do trabalho pelo INSS há cerca de dois anos.

"Eu esperei quase dois anos, um ano e oito meses, para fazer uma ressonância. Quando fez a ressonância, eu tinha seis hérnias de disco. Tinha problema de bursite na lombar, bico de papagaio, um monte de coisa", contou Maria.

A Prefeitura de Araraquara foi questionada pela EPTV, afiliada da TV Globo, sobre as medidas para reduzir as filas e não se posicionou.

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O problema não é só de Araraquara. Um levantamento nacional recente apontou mais de 5 milhões de pacientes esperando pelo menos 57 dias por consulta com especialista no SUS.

A demora por um especialista virou rotina para quem depende do SUS em cidades de todos os tamanhos.

Filas parecidas já apareceram em outras cidades. Pacientes do Distrito Federal enfrentam demora semelhante para atendimento oftalmológico pelo SUS.

Em Taió (SC), a Justiça deu 60 dias para reduzir a fila da saúde.

O SUS paga hoje mais pelo cuidado com doença renal crônica, a condição que ameaça João. O reajuste, porém, não garantiu a ele uma vaga rápida com nefrologista.

O ponto em aberto

A Prefeitura de Araraquara não disse quando pretende reduzir a fila. Mutirões como o que zerou as filas de exame em Balsas (MA) existem em outras cidades, mas nada indica que o modelo chegará a Araraquara.