O Custo do Crédito: Expectativas e Sobrevivência no Mercado Financeiro em 2025
No 58º episódio do "PodChefes", o superintendente Bruno Fraga alerta empresários sobre juros altos, a escassez de taxas pré-fixadas e as novas e rigorosas regras do Banco Central para empréstimos.
Por Gustavo Costa·há 1 hora
Para preparar os empreendedores para o próximo ano, o 58º episódio do videocast "PodChefes", comandado por Lívia Guimarães, mergulhou fundo nas expectativas e desafios do mercado financeiro. O convidado da edição foi Bruno Fraga, atual superintendente de negócios do Sicoob Credifiemg e especialista com ampla trajetória no setor bancário e cooperativo. A premissa central do bate-papo foi muito clara: conhecer o cenário econômico e trabalhar com previsibilidade é a melhor forma de mitigar riscos na hora de conduzir uma empresa.
O diagnóstico traçado para 2025 exige extrema cautela, com um clima de pessimismo rondando as instituições financeiras devido aos altos índices de inadimplência das pessoas jurídicas, que chegam a picos alarmantes em algumas instituições. Bruno explicou que a origem de grande parte desse endividamento remonta ao período da pandemia, quando a taxa Selic caiu a 2% ao ano e os empresários tiveram acesso a linhas de crédito emergenciais, como o Pronampe, muitas vezes movidos pela emoção de captar dinheiro aparentemente "barato" mesmo sem uma necessidade vital. O problema é que, com a Selic atual na casa dos 11,25% ao ano, os empresários que contrataram taxas pós-fixadas viram suas parcelas dispararem e agora lutam para fazer a conta fechar, sufocando o caixa de negócios que já operam com margens de lucro apertadas.
Diante desse histórico e do aumento contínuo dos gastos públicos do governo — que pressiona a inflação mesmo com recordes de arrecadação de impostos —, a perspectiva do mercado é que os juros permaneçam altos por muito mais tempo. Na prática, os especialistas alertam que isso trará duas duras consequências para os pequenos negócios nos próximos meses. A primeira é a quase extinção das taxas de juros pré-fixadas para os pequenos, visto que os bancos, em um cenário de incerteza, não querem correr o risco de ter um custo de captação maior do que o juro cobrado do cliente. A segunda, e mais impactante, é a entrada em vigor da Resolução 4966 do Banco Central a partir de 1º de janeiro de 2025. A nova regra mudará a forma como os bancos provisionam o risco, penalizando duramente as operações de crédito que não possuam garantia real (como imóveis ou veículos), o que tornará o dinheiro muito mais restrito e caro para quem não tem esses bens a oferecer.
O programa também aproveitou para desmistificar o impacto das eleições dos Estados Unidos no dia a dia do pequeno empresário brasileiro. Segundo o especialista, o efeito prático imediato de uma vitória de Donald Trump é quase nulo para o mercado interno, visto que o Brasil representa uma fração mínima do investimento externo. No entanto, o dólar deve se manter em um patamar elevado (na casa dos R$ 5,70) e políticas protecionistas podem manter a inflação americana alta, encarecendo bens de consumo final que dependem de matéria-prima estrangeira, como smartphones e veículos.
Para sobreviver a tantas adversidades, a orientação final aos líderes foi realista e combativa. Bruno aconselhou os empreendedores a serem "incansavelmente insatisfeitos", abandonando o comodismo e a falsa máxima de que "em time que está ganhando não se mexe", pois a permanência em velhos modelos de gestão é o que realmente quebra uma empresa. Em forte sintonia com a metodologia aplicada por Lívia em sua "Academia Valorize", ficou a lição de que o apego emocional a receitas do passado pode ser fatal para o CNPJ, sendo necessário focar na racionalidade, na melhoria da gestão e em não aceitar os resultados ruins sem lutar por inovações.
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