Os Bastidores da Beleza: A Evolução da Moda, Inclusão e os Desafios Reais das Passarelas
Em um bate-papo revelador, a ex-BBB Ivy Moraes, a Miss Monique Curi e a empresária Thaísa Tadeu desmistificam o glamour da carreira de modelo e debatem a pressão estética e a maternidade.
Por Gustavo Costa·há 2 horas
O universo da moda e dos concursos de beleza costuma ser visto pelo público como um ambiente de puro glamour, mas a realidade por trás das câmeras revela uma jornada de muita pressão e resiliência. No talk show "Conta Pra Ivy", a apresentadora e ex-BBB Ivy Moraes recebeu duas convidadas de peso para debater o assunto: Monique Curi, coroada Miss em 2008 e atual maquiadora e empreendedora, e Thaísa Tadeu, modelo e dona de uma agência de publicidade inclusiva.
A conversa evidenciou o quanto o mercado da beleza precisou evoluir nas últimas décadas. Monique relembrou que, na sua época de Miss, as regras eram extremamente rígidas: as candidatas não podiam ser casadas, não podiam ter filhos e enfrentavam um limite de idade rigoroso (geralmente 25 anos para o nacional e 27 para o internacional). Hoje, felizmente, os concursos estão mais abertos e inclusivos. Monique também explicou a diferença crucial entre as duas profissões: enquanto a modelo "fashion" deve manter uma postura séria e reta na passarela para destacar a roupa, a Miss precisa de carisma, sorriso e muita interação para conquistar os jurados e o público.
No entanto, a quebra de paradigmas não ocorreu sem dor. Thaísa Tadeu compartilhou as barreiras cruéis que enfrentou no início de sua carreira. Sendo uma mulher negra e magra, ela sofreu bullying e ouviu de agências exigências absurdas, como a de que precisaria emagrecer 4 quilos, perder 2 centímetros de cintura e até mesmo raspar a cabeça ou usar dreads para se encaixar em um estereótipo imposto pelo mercado. Em vez de ceder ou adoecer com essa pressão, Thaísa transformou sua frustração em propósito: fundou em 2015 a sua própria agência com a missão de ser diversa e inclusiva, abraçando modelos de todas as idades e todos os tipos de corpos.
Os perrengues dos bastidores também renderam boas histórias. Longe do luxo imaginado pelo público, as convidadas relembraram episódios em que modelos passavam fome nos bastidores porque os clientes acreditavam que "modelo não come", sapatos menores que o pé, e até o uso bizarro de cola tipo "Super Bonder" para prender as orelhas das modelos para trás durante sessões de fotos.
Para além da estética, o programa tocou nas dores modernas da mulher e da superexposição. Monique desabafou sobre a dificuldade constante de equilibrar a dedicação à sua profissão com a criação de seus dois filhos pequenos, uma culpa que persegue quase todas as mães modernas. Ivy Moraes também relembrou sua participação no Big Brother Brasil: embora o reality tenha sido um trampolim financeiro e profissional incrível, a dor de lidar com os "haters" e com a cultura do cancelamento na internet foi um preço altíssimo a se pagar.
Ao final, as três mulheres deixaram uma forte mensagem sobre autoaceitação em tempos de redes sociais, onde a distorção de imagem e o uso excessivo de filtros geram depressão. A grande lição do episódio é que a verdadeira beleza e força residem na autenticidade, e que o caminho para um ambiente mais saudável passa por as mulheres se unirem, torcerem umas pelas outras e abandonarem a rivalidade e o julgamento.
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