O agricultor Jacobus Hermanus Brits encontrou, em 1920, uma placa de ferro de 60 toneladas em suas terras perto de Grootfontein, na Namíbia. Era o meteorito Hoba, hoje reconhecido como a maior massa meteórica intacta já encontrada na superfície da Terra.
O bloco tem 2,7 metros de comprimento, 2,7 metros de largura e 0,9 metro de espessura — ocupa uma área de cerca de 7 metros quadrados, do tamanho de uma sala pequena.
A massa do Hoba é cerca do dobro do maior fragmento do meteorito Cape York, o Ahnighito (31 toneladas, achado na Groenlândia), e também do dobro do fragmento Gancedo, do meteorito argentino Campo del Cielo, de peso semelhante.
Nenhum outro meteorito gigante supera o Hoba em massa intacta.
O meteorito nunca saiu do lugar onde caiu. Mover 60 toneladas de ferro e níquel representaria um desafio logístico e financeiro monumental, e por isso o Hoba segue exatamente onde Brits o encontrou, há mais de um século.
Diferente de outros grandes meteoritos, o Hoba não está fragmentado nem foi levado para museus ou instituições científicas. Pertence à categoria ataxita, um tipo raro de meteorito metálico rico em níquel.
Como o Hoba ajuda a ciência
O Hoba é composto por cerca de 84% de ferro e 16% de níquel, com traços de cobalto. O material se formou há centenas de milhões de anos no Sistema Solar, mas só caiu na Terra há menos de 80 mil anos.
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O estudo dessa composição ajudou cientistas a entender melhor a estrutura dos asteroides metálicos primitivos e os processos que originaram os corpos celestes do Sistema Solar.
Como visitar o meteorito hoje
Em 1955, o Hoba foi declarado monumento nacional da Namíbia, para protegê-lo de visitantes que arrancavam pedaços como lembrança. Hoje o local tem centro de visitantes e anfiteatro de pedra ao redor do meteorito, que atrai milhares de turistas por ano.
No Brasil, uma cratera de impacto guarda história parecida: pesquisa da USP confirmou que a cratera de Colônia, em São Paulo, onde vivem 40 mil pessoas, tem origem em asteroide.
A mesma equipe já havia levantado novas evidências do impacto na região, anos antes da confirmação mineral.
Para entender como corpos como o Hoba se formam, um estudo recente detalhou a física e a dinâmica dos asteroides no Sistema Solar.





























