Um ex-funcionário da fábrica da Caoa em Anápolis (GO) é investigado por participar de um esquema que desviou 54 carros zero quilômetro entre o fim de 2023 e o início de 2025, com prejuízo de R$ 8,7 milhões, segundo o Ministério Público de Goiás (MP-GO).

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP-GO cumpriu 12 mandados de busca e apreensão em São Paulo e São Bernardo do Campo (SP) na última terça-feira (29/9).

A ação também bloqueou bens e valores dos investigados, numa tentativa de ressarcir o prejuízo.

Segundo o MP-GO, o esquema usava notas fiscais falsas de "remessa para industrialização por encomenda", documento destinado a serviços como blindagem ou instalação de acessórios antes da venda.

O investigado teria criado o perfil de um analista de marketing fictício e enviado solicitações fraudulentas por e-mail para justificar a retirada dos carros, segundo as investigações.

Os veículos eram levados a São Paulo e vendidos a comerciantes de autopeças e sucatas por valores bem abaixo do mercado. Parte da frota era desmontada, e as peças anunciadas em lojas físicas e redes sociais como "zero quilômetro".

A fábrica é da Caoa, grupo automotivo que também vende no país o SUV CS75, da marca Caoa Changan. A unidade de Anápolis produz os modelos Tiggo 5x e Tiggo 8, da Caoa Chery, além de caminhões Hyundai HR, segundo apuração do AutoPapo.

Comerciantes que compraram os carros desviados respondem por receptação qualificada no exercício de atividade comercial. O esquema só veio à tona depois que o MP-GO identificou inconsistências no controle de estoque de veículos da própria montadora.

Esquemas parecidos de revenda de peças de origem ilícita têm sido alvo de operações recentes. Em setembro, uma operação com 1,7 mil agentes desmontou uma máfia do celular roubado em São Paulo.

O que acontece agora

O mentor do esquema e os empresários apontados como compradores já foram denunciados pelo MP-GO, por associação criminosa, furto mediante fraude e receptação qualificada. Os bens bloqueados nesta fase devem ajudar a ressarcir o prejuízo de R$ 8,7 milhões à montadora.