O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) declarou, nesta sexta-feira (2), apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), rompendo com o bolsonarismo às vésperas do 1º turno. Ele chamou a vitória de Lula de "fundamental" para o país.

"Eu fiz oposição muito ferrenha ao senhor, até que eu tive um encontro com a verdade, não com as narrativas de quem era o senhor", disse Otoni, em referência a Lula. "A sua eleição, hoje, é fundamental para o nosso país."

Otoni também disse que ficar ao lado de Lula significa fazer oposição a Flávio Bolsonaro (PL), a quem acusa de envolvimento com milícias no Rio de Janeiro. A acusação é do deputado, que não apresentou provas, e não foi confirmada pela TV Sim Brasil. Procurado pela BBC News Brasil sobre a acusação, Flávio não respondeu.

Até onde a TV Sim Brasil apurou, não há denúncia recebida pela Justiça, investigação formal em curso ou condenação de Flávio Bolsonaro por ligação com milícias. O espaço para manifestação do candidato e de sua campanha permanece aberto nesta reportagem.

Acusação de teor semelhante já havia sido feita por Lula durante a campanha, também sem apresentação de provas. Em outubro, o próprio presidente chamou Flávio de "ligado aos milicianos" em entrevista.

No vídeo, Otoni também criticou a pressão sobre eleitores evangélicos que apoiam Lula.

O evangélico que vota diferente está sendo excomungado pelos próprios irmãos. Isso não é fé. É ódio usando a Bíblia como escudo.

Em resposta, Lula afirmou que está ao lado dos evangélicos e que, assim que passarem as eleições, vai se reunir com o grupo para tratar de prioridades.

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A disputa pelo voto evangélico é um dos eixos da reta final, com os dois lados mirando a mesma fatia de eleitores de fé. A TV Sim Brasil mostrou como essa disputa aparece nos levantamentos mais recentes.

Quem é Otoni de Paula?

Otoni de Paula é um ex-aliado da família Bolsonaro. Em 2022, chamou Lula de "vagabundo" e disse que lidaria com ele "na bala". Em 2025, afirmou se arrepender da forma como se dirigiu ao petista.

"Eu me percebo mais parecido com o Bolsonaro do que com Jesus", disse o deputado, à época, sobre o episódio de 2022.

Em outra frente, o PT pediu ao STF auditoria nas emendas parlamentares do candidato desde 2019 — o pedido é de um partido adversário e não implica, por si, reconhecimento de irregularidade.

O que acontece agora

O 1º turno das eleições presidenciais acontece neste domingo (4). Lula e Flávio Bolsonaro são os principais nomes na disputa pela Presidência, e o resultado vai mostrar se a corrida nacional segue para o 2º turno.

A apuração começa assim que as urnas fecham, neste domingo.