Uma nova esperança surge na luta contra a malária com os avanços realizados por pesquisadoras do Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas) da UFMG, em conjunto com a Fiocruz Minas. O estudo, publicado recentemente, aponta para a possibilidade de criação de uma vacina universal que oferece proteção contra diversas espécies do parasita, em especial o Plasmodium vivax, causador da maioria dos casos no Brasil.

Um caminho de 15 anos

A pesquisa é resultado de 15 anos de trabalho, inicialmente voltado para a biologia celular, sem a intenção imediata de desenvolver um produto final. A pesquisadora principal, Caroline Junqueira, explica que o foco era compreender os mecanismos celulares, que agora se traduzem em uma potencial nova terapia.

Limitações das vacinas atuais

Atualmente, existem apenas duas vacinas aprovadas, mas ambas são direcionadas ao Plasmodium falciparum, espécie predominante na África, e apresentam uma eficácia limitada de 30% a 50%. Além disso, são restritas a crianças e requerem múltiplas doses, o que limita sua aplicação em larga escala.

Descobertas inovadoras

Diferente das abordagens tradicionais que focam em anticorpos, as pesquisadoras descobriram um novo mecanismo que ativa os linfócitos T CD8+, as células de defesa do corpo que atacam diretamente as células infectadas. Elas identificaram que o P. vivax infecta células vermelhas jovens, que sinalizam a presença do parasita, permitindo que as células de defesa o eliminem.

Mapeamento de proteínas

Utilizando tecnologia avançada de imunopeptidômica, a equipe conseguiu identificar 453 novas pistas que revelam 166 proteínas do Plasmodium vivax. Essas proteínas são conservadas em todas as fases do parasita, possibilitando a criação de uma vacina que funcione contra diferentes variantes.

Próximos passos e impacto global

A vacina já foi produzida em laboratório e mostrou gerar uma resposta imunológica forte. O próximo passo é iniciar os testes clínicos em humanos, um processo que depende da aprovação da Anvisa e de investimentos. A previsão é de que esses testes possam começar em 1 a 2 anos.

Com a malária matando cerca de 700 mil pessoas anualmente em todo o mundo, e a situação piorando devido às mudanças climáticas, a urgência de novos imunizantes se torna cada vez mais evidente. A vacina é vista como uma solução essencial para controlar a doença e salvar vidas no Brasil e globalmente.