Em Minas Gerais, o setor de panificação enfrenta um déficit de cerca de 30 mil trabalhadores, segundo a Câmara da Indústria de Alimentos e Bebidas da Fiemg. Esta escassez de mão de obra compromete o atendimento ao público e a produção, com muitas empresas recorrendo à compra de pão congelado e terceirização para manter o funcionamento. A informalidade e o crescimento dos aplicativos de entrega são apontados como fatores que dificultam a contratação.
O presidente da Câmara, Vinícius Dantas, destaca que a contratação formal se torna inviável devido aos altos custos trabalhistas, fazendo com que muitos trabalhadores optem por atividades informais, que oferecem renda imediata sem as mesmas obrigações. Além disso, a falta de políticas públicas para incentivar o retorno ao mercado formal e a baixa produtividade da economia agravam o cenário.
Para contornar a falta de profissionais, algumas padarias têm investido em automação, embora enfrentem obstáculos como a alta carga tributária sobre tecnologia e o custo elevado de financiamentos. A situação de Minas Gerais reflete uma tendência nacional em que benefícios sociais como o Bolsa Família e o BPC são citados por empresários como fatores que aumentam o 'salário de reserva', tornando menos atrativas as vagas com remuneração inicial baixa.
Enquanto isso, o mercado de trabalho mineiro apresenta desafios semelhantes aos de outras regiões do Brasil, com taxas de desemprego historicamente baixas e uma alta rotatividade de trabalhadores em setores que exigem menor qualificação técnica. Em comparação, o Espírito Santo adotou medidas como o fechamento de supermercados aos domingos para lidar com a falta de mão de obra, um reflexo das dificuldades em montar escalas de trabalho.
O setor de panificação espera que a introdução de novas tecnologias e a melhoria nas condições de crédito possam ajudar a mitigar o déficit de mão de obra e permitir um crescimento mais robusto em 2026.



