A Confederação Nacional do Transporte (CNT) alertou que a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a jornada de trabalho 6 X 1 pode elevar os custos do setor em até R$ 12 bilhões por ano. O presidente da CNT, Vander Costa, comentou sobre os impactos financeiros e a preocupação com a escassez de mão de obra durante entrevista ao jornal Valor Econômico.
Impacto da PEC e escassez de mão de obra
Costa destacou que, embora o aumento nos custos financeiros seja significativo, a maior preocupação é a dificuldade em encontrar trabalhadores qualificados. Com aproximadamente 2,5 milhões de pessoas empregadas no setor, a falta de profissionais já é uma realidade em várias áreas. A redução da jornada de trabalho pode intensificar esse problema.
Defesa de negociação coletiva
O dirigente da CNT enfatizou a necessidade de discutir as regras de jornada por meio de negociações coletivas, ao invés de fixá-las na Constituição. “Acreditamos que a evolução do trabalho deve ocorrer através de acordos, e não por imposições legais”, afirmou Costa.
Consequências para o transporte público
De acordo com Costa, a mudança na jornada poderá impactar também o transporte coletivo urbano. Algumas empresas já estão avaliando medidas para mitigar o aumento de custos, como a redução no número de viagens, especialmente aos finais de semana. “Isso pode resultar em um custo maior para as prefeituras”, alertou.
Proposta de transição para novas regras
Caso a PEC seja aprovada, a CNT sugeriu que a adaptação das empresas às novas regras ocorra de forma gradual. “Um período de transição mais longo ajudaria os empresários a se ajustarem aos novos custos”, comentou Costa, propondo uma implementação mais lenta das mudanças.
Outros desafios do setor
Além da PEC, Costa também se referiu à Medida Provisória 1.343, que altera regras do transporte rodoviário de cargas. Ele criticou mudanças que dificultam a aplicação da proposta e afirmou que a taxa elevada de juros no Brasil tem um impacto negativo maior sobre o setor do que o preço do diesel. Por fim, ele destacou a importância de medidas preventivas contra o roubo de cargas, enfatizando os investimentos em segurança.




