A indústria do alumínio no Brasil alcançou um faturamento de R$ 168 bilhões em 2025, marcando um crescimento de 10,6% em relação ao ano anterior. Os dados foram divulgados no Anuário Estatístico da Abal (Associação Brasileira do Alumínio) e mostram que a produção de alumínio primário subiu 8,5%, totalizando 1,18 milhão de toneladas, o maior volume desde 2013.
Desafios da Concorrência Externa
Apesar do crescimento, o setor enfrenta desafios com a crescente concorrência de produtos importados. A participação de alumínios estrangeiros no mercado nacional subiu de 11,2% para 12%, com a China sendo responsável por 26,9% desse volume. Essa situação gera preocupações sobre a sustentabilidade da indústria nacional, que precisa lidar com a pressão das importações.
Investimentos e Empregos
Os investimentos brutos no setor totalizaram R$ 6,8 bilhões, mantendo cerca de 508 mil postos de trabalho diretos e indiretos. Embora o superávit comercial tenha sido de US$ 3,3 bilhões, a Abal alerta que este saldo é majoritariamente impulsionado por matérias-primas, enquanto os produtos de maior valor agregado estão perdendo espaço no mercado.
Desempenho do Consumo Doméstico
O consumo interno de alumínio ficou em 1,883 milhão de toneladas em 2025, apresentando uma leve queda de 0,5%. Setores como o de Eletricidade registraram aumento de 10,2%, devido a leilões da Aneel, enquanto o setor de Embalagens teve uma alta de 0,7%. Entretanto, o segmento de Transportes enfrentou uma redução de 0,8% na demanda, refletindo a predominância de veículos importados.
Impacto do Crédito Restrito
O cenário atual de crédito restrito também impactou negativamente a demanda em diversos setores. A procura por Máquinas e Equipamentos caiu 10,5%, Bens de Consumo teve uma redução de 6,6% e a Construção Civil viu uma diminuição de 3,4% em sua demanda por alumínio.
Posição Estratégica do Brasil
O Brasil ocupa uma posição estratégica na cadeia global do alumínio, sendo o 4º maior produtor de bauxita, o 3º de alumina e o 9º de alumínio primário. Além disso, o país recicla 57% de seu consumo, um percentual muito superior à média mundial. A presidente-executiva da Abal, Janaina Donas, enfatiza a necessidade de políticas públicas que garantam a competitividade da indústria nacional.
Desafios Futuros
Donas ressalta que o sucesso da cadeia produtiva de alumínio depende de ações que protejam a indústria nacional de manufaturados. “É essencial que haja uma política comercial que assegure condições iguais entre os produtos nacionais e os importados, respondendo a distorções que afetam o mercado global e assegurando insumos estratégicos para a transição energética do país”, conclui.




