Mariângela Fialek, também conhecida como Tuca, é uma servidora da Câmara dos Deputados que atuou como assessora de Arthur Lira (PP-AL) por muitos anos. Atualmente, ela é lotada na liderança do PP e está sendo investigada pela Polícia Federal como uma das principais figuras de um esquema de desvio de emendas parlamentares que beneficiava Valdemar Costa Neto, presidente do PL e sem mandato.

Investigações e Indícios

A Polícia Federal aponta que Tuca teria centralizado e organizado as indicações de Valdemar, com apoio de outros servidores da Câmara. Uma decisão do ministro Flávio Dino, do STF, revelou que dados extraídos de seu celular demonstraram a existência de um arranjo paralelo na destinação de verbas públicas, nas quais Valdemar atuava mesmo sem ser parlamentar.

Papel de Tuca no Esquema

De acordo com as investigações, Tuca recebia cobranças e pedidos de Valdemar por meio de outros dois servidores, Nara Benedetti Nicolau Brum e Garigham Amarante Pinto. Em mensagens trocadas, ela era informada sobre reuniões e sobre a destinação de valores significativos, como R$ 24 milhões para o turismo, e sugeria trocas de indicações para melhor gerenciar as emendas.

Planejamento das Indicações

Os investigadores identificaram que o grupo utilizava planilhas para organizar as indicações, inserindo nomes de deputados como solicitantes fictícios para dar uma aparência legal às transações, que na verdade eram decididas por Valdemar. A PF catalogou 21 emendas suspeitas, totalizando R$ 119,2 milhões, sendo que R$ 104 milhões já foram pagos.

Repercussões e Defesa

Em resposta à Folha, a defesa de Tuca não se manifestou sobre as alegações feitas na decisão do STF. A Polícia Federal investiga Tuca por crimes como peculato-desvio, que não requer enriquecimento pessoal, apenas o uso indevido de verbas públicas.

Atuação Anterior de Tuca

O nome de Tuca já havia sido mencionado em agosto de 2024, quando foi revelado que ela havia influenciado a distribuição de R$ 1,1 bilhão em emendas por meio da Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional, enviando listas de municípios para receber recursos sem que os membros da comissão soubessem do destino final.