Com a chegada do inverno, a atenção à saúde não deve ser voltada apenas às doenças respiratórias, mas também à saúde do coração. O Instituto Nacional de Cardiologia (INC) revelou que, durante períodos de frio intenso, as ocorrências de infarto podem aumentar em até 30%, especialmente quando as temperaturas caem abaixo de 14°C.
Riscos aumentados com a queda da temperatura
Além dos infartos, os casos de acidente vascular cerebral (AVC) também podem crescer até 20%, afetando principalmente idosos e pessoas com condições cardiovasculares já existentes. Essa relação entre frio e eventos cardíacos se deve a várias reações do corpo para manter a temperatura.
A vasoconstrição, um dos mecanismos ativados pelo frio, reduz o calibre dos vasos sanguíneos, o que eleva a pressão arterial e aumenta o esforço do coração para garantir a circulação sanguínea. Isso pode ser particularmente perigoso para aqueles que já sofrem de hipertensão, diabetes ou colesterol alto.
Respostas do organismo ao frio
O cardiologista Fernando Ribas, da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, explica que a resposta do organismo ao frio está diretamente relacionada ao aumento do risco cardiovascular. A vasoconstrição, além de elevar a pressão arterial, faz com que o coração necessite de mais esforço para manter a circulação, o que pode ser arriscado para quem possui doenças cardíacas.
Outro ponto relevante é a liberação de adrenalina, que ocorre em resposta ao frio. Esse hormônio aumenta a frequência cardíaca e a demanda de oxigênio pelo coração. Para pessoas com risco cardiovascular, esse estresse pode desestabilizar placas de aterosclerose, aumentando o risco de infarto ou AVC.
Dados alarmantes e recomendações
Um levantamento do Datasus, compilado pelo Observatório da Saúde Pública da Umane, revelou que, em 2024, o Brasil registrou cerca de 398 mil mortes por doenças do aparelho circulatório, incluindo infartos e hipertensões. Essa taxa representa 187,5 óbitos por 100 mil habitantes, a segunda mais alta em 23 anos.
Para minimizar os riscos durante o inverno, o cardiologista recomenda que as pessoas mantenham o tratamento das condições cardiovasculares em dia, evitem exposições prolongadas ao frio e pratiquem atividades físicas com orientação médica. Além disso, uma alimentação balanceada e a busca imediata de atendimento médico diante de sintomas como dor no peito ou falta de ar são essenciais. "A prevenção é a melhor maneira de proteger o coração, especialmente para aqueles que já têm fatores de risco", conclui Ribas.




