Os Correios interromperam parcialmente seu plano de reestruturação este mês, suspendendo o fechamento de agências e a retirada de uma gratificação de R$ 500 para os funcionários que atendem ao público. Essas medidas foram adiadas em resposta à ameaça de greve por parte dos servidores, que estavam insatisfeitos com o andamento das mudanças propostas.

Decisão Estratégica

A suspensão ocorre em um momento crítico para a estatal, que busca um novo empréstimo de R$ 7 bilhões para enfrentar os prejuízos acumulados. Em 2025, os Correios registraram um déficit de R$ 8,5 bilhões, e a previsão é que o rombo seja ainda maior neste ano, com um prejuízo de R$ 3,1 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026.

Nota da Empresa

Em comunicado, os Correios enfatizaram que a suspensão das medidas é temporária e permitirá que os sindicatos expressem suas preocupações sobre as mudanças. A empresa assegurou que outras ações do plano de reestruturação, como a venda de imóveis e a contenção de despesas, continuarão sendo executadas.

Diálogo com os Trabalhadores

A proposta de suspensão foi enviada aos sindicatos em uma carta, que também mencionou a possibilidade de os trabalhadores iniciarem uma paralisação. Após a comunicação da direção da empresa, os representantes dos funcionários decidiram apenas manter o estado de greve, que lhes permite parar as atividades a qualquer momento, caso as negociações não sejam respeitadas.

Ações Paralisadas

Durante o período da suspensão, os Correios realizarão uma análise técnica e social sobre possíveis novos fechamentos de agências. Além disso, a empresa se comprometeu a reavaliar os benefícios que foram suspensos anteriormente e a interromper a retirada de remunerações relacionadas ao Adicional de Atendimento em Guichê e Quebra de Caixa.

Impactos Financeiros

Das 1.000 agências que a estatal planejava fechar para economizar R$ 2,1 bilhões, 256 já encerraram atividades. O novo programa de demissão voluntária, que deve ser lançado em breve, focará nas unidades que serão desativadas e envolverá cerca de 7 mil funcionários. A adesão ao programa anterior foi abaixo do esperado, com apenas 3.075 funcionários se inscrevendo, resultando em uma economia de R$ 700 milhões, em vez dos R$ 1,4 bilhão almejados.