Um esquema criminoso em Mato Grosso do Sul está sendo investigado pelo Ministério Público do estado (MPMS) após a descoberta de que a regulação de serviços de saúde, como exames e cirurgias do Sistema Único de Saúde (SUS), era usada para pressionar prefeitos a adquirir livros da Editora Avante. O MPMS alega que os serviços de saúde foram convertidos em 'moeda de troca' nas negociações.

Operação Gutenberg

A operação, chamada de Gutenberg, foi desencadeada na terça-feira (7) e já identificou movimentações fraudulentas que ultrapassam R$ 27 milhões. A investigação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), descreve o esquema como 'repugnante', uma vez que condicionava o acesso da população à saúde à compra de livros.

Mandados e Prisões

Durante a operação, 16 mandados de prisão e 43 de busca e apreensão foram cumpridos, resultando em 14 detenções em Campo Grande e Dourados, além de uma cidade em Goiás. Os agentes também encontraram mais de R$ 70 mil em dinheiro e cheques preenchidos. Entre os presos estão membros da família Paroschi Jafar, que liderava a organização.

Família no Comando

A investigação aponta que a empresária Rossana Paroschi Jafar era a chefe do esquema, com a participação de seus filhos e ex-nora. O grupo assumiu o controle após a morte de Mirched Jafar Júnior, marido de Rossana, em 2021. A Editora Avante, ligada à família, teria sido utilizada para ocultar a participação da organização em contratos fraudulentos.

Atuação Estruturada

O MPMS identificou que a organização atuava de maneira estruturada, utilizando uma empresa de fachada e exercendo influência sobre agentes públicos para desviar recursos das prefeituras. A Editora Avante foi registrada em nome de terceiros para evitar associações diretas com a família Jafar.

Pressão Sobre Prefeitos

Em 2022, com a inclusão de Ed Carlo Britto Burgatt, então coordenador de Regulação da Secretaria de Saúde, o esquema ganhou nova dimensão. Ele usou sua posição para facilitar o acesso a serviços de saúde em troca de contratos com a editora, sendo exonerado um dia após a operação. Mensagens interceptadas mostram estratégias de pressão sobre prefeitos para a assinatura de contratos.