O aumento do déficit fiscal nas contas públicas do Brasil tem gerado uma nova perspectiva entre os investidores em relação aos títulos públicos. O Banco Central (BC) revelou que o setor público consolidado registrou um déficit de R$ 56,1 bilhões em maio, um aumento de aproximadamente 66% em comparação ao mesmo mês do ano anterior.

Impacto nas contas públicas

Esse déficit inclui a União, estados, municípios e empresas estatais, e, em 12 meses, o total acumulado chegou a R$ 149 bilhões, representando 1,14% do Produto Interno Bruto (PIB). A Dívida Bruta do Governo Geral também avançou, atingindo 81,1% do PIB, o maior nível em cinco anos.

Marilia Fontes, apresentadora da Resenha do Dinheiro, esclarece que o déficit fiscal ocorre quando o governo gasta mais do que arrecada, necessitando recorrer ao endividamento. “É como em casa: se gastamos mais do que ganhamos, temos que nos endividar”, explica.

Desempenho das estatais

O desempenho das empresas estatais, que acumularam R$ 7 bilhões em prejuízos de janeiro a maio, também contribui para a crise nas contas públicas. Esse valor é equivalente ao total de perdas do ano passado, indicando um crescimento dos prejuízos.

A dívida crescente não é apenas um problema em termos de volume. Segundo Bernardo Pascowitch, CEO do Yubb, déficits recorrentes podem pressionar a inflação ao aumentar a quantidade de moeda em circulação. “Enquanto nós, cidadãos, não podemos emitir dinheiro, o governo pode, e isso afeta a base monetária e, consequentemente, a inflação”, detalha.

Comparações internacionais

Os especialistas ressaltam que, apesar da dívida brasileira ser comparável à de países desenvolvidos, como Japão e Estados Unidos, o custo de financiamento é significativamente maior no Brasil. Enquanto o Japão paga juros de cerca de 0,5% e os EUA cerca de 3%, a taxa média da dívida brasileira se aproxima de 13%, implicando um custo de aproximadamente R$ 150 bilhões.

Thiago Godoy, educador financeiro, aponta que a confiança dos investidores nos EUA é sustentada por fatores estruturais, como a força da moeda e a concentração do capital internacional. Essa realidade ajuda a explicar a queda na demanda por títulos públicos brasileiros.

Preocupações com o futuro

Recentemente, o Tesouro Nacional enfrentou dificuldades em leilões de títulos IPCA+, evidenciando a falta de interesse por parte dos investidores. “Isso levanta questões sobre a capacidade de pagamento do governo”, afirma Marilia Fontes. A Resenha do Dinheiro, que discute esses e outros temas econômicos de forma leve, vai ao ar todas as sextas-feiras às 19h no canal do CNN Money no YouTube.