Um estudo do Hospital Pitié-Salpêtrière, de Paris, publicado na revista Current Biology, mostra que a fadiga mental vem do acúmulo de glutamato, um neurotransmissor, em uma região do cérebro. O trabalho cognitivo intenso muda a química cerebral, e o corpo sente isso como cansaço.
Até pouco tempo, a ciência estudava pouco a conexão entre cansaço mental e físico. Acreditava-se que o cérebro gastava muita energia ao raciocinar, mas pesquisas mostraram que a tarefa mental não implica grande consumo calórico.
Como o estudo mediu a fadiga mental?
Os pesquisadores Antonius Wiehler e Mathias Pessiglione, da Pitié-Salpêtrière, submeteram 40 pessoas a uma tarefa de diferenciar letras na tela por mais de 6 horas, em versão fácil ou difícil. A resposta metabólica foi monitorada por ressonância magnética.
O acúmulo de glutamato acontece no córtex pré-frontal lateral e reduz o controle sobre decisões, favorecendo escolhas de menor esforço e gratificação imediata. O risco aumenta depois de 4 a 5 horas de esforço cognitivo intenso.
É por isso que decisões tomadas no fim de um dia exaustivo tendem a pesar mais para o caminho mais fácil, não para o mais racional.
Por que a sobrecarga pesa mais sobre as mulheres?
Quem trabalha com criatividade sente mais o cansaço mental, mesmo com os afastamentos por saúde mental no trabalho em queda. Mas não é só o trabalho formal que pesa: planejar cada detalhe da vida também gera sobrecarga.
Essa sobrecarga recai com mais intensidade sobre as mulheres, comumente vistas como responsáveis pelo trabalho não remunerado do cuidado.
Como esvaziar a cabeça de verdade?
Ao menor sinal de pensamento incômodo, é comum buscar distração no celular. Mas o excesso de notícias e informações do mundo digital mantém a mente ligada, estimulada em velocidade ainda mais rápida, em vez de esvaziá-la.
Colocar os pensamentos no papel, num despejo mental curto, é prática recomendada por psicólogos. Outra técnica é a de aterramento pelos 5 sentidos: 5 coisas que vê, 4 que toca, 3 que ouve, 2 que cheira e 1 que saboreia.
Outra recomendação é a higiene digital: desativar notificações e reservar uma hora livre de telas antes de dormir, trocando o celular por leitura.
Quando o turbilhão de pensamentos intrusivos afeta boa parte da rotina, vale buscar ajuda de um psicólogo ou psiquiatra: as práticas simples aliviam o dia a dia, mas não substituem acompanhamento profissional.






























