Um hospital no Japão realizou nesta terça-feira (29) a primeira cirurgia cardíaca do mundo com lâminas de células do músculo do coração feitas em laboratório, em uma paciente de 50 anos com insuficiência cardíaca grave. A operação durou cerca de uma hora.
As lâminas são feitas de cardiomiócitos, as células que fazem o coração se contrair a cada batimento. Eles são produzidos a partir de células-tronco pluripotentes induzidas (iPS), obtidas ao reprogramar células adultas do próprio paciente.
"Esperamos que isso melhore a qualidade de vida da paciente", disse o cirurgião Yoshiki Sawa, que liderou a equipe e é também presidente do Hospital Osaka Keisatsu, onde a cirurgia foi feita.
A técnica foi desenvolvida por Sawa em parceria com o cientista Shinya Yamanaka, vencedor do Prêmio Nobel de Medicina de 2012 por suas pesquisas com células iPS. O produto biológico usado na cirurgia tem nome comercial RiHeart.
A terapia recebeu aprovação condicional do governo japonês em março, e nesta semana passou a ser coberta pelo seguro público de saúde do país. A autorização ainda é provisória. O tratamento será acompanhado por um período antes de uma liberação definitiva.
A inovação chega num momento em que o Japão enfrenta escassez de doadores de órgãos, o que limita o acesso a transplantes cardíacos para casos graves.
No Brasil, a fila por transplantes também é longa. Só no Distrito Federal, 1.902 pessoas esperam por um órgão.
A aprovação condicional veio depois de testes com 8 pacientes que tinham doença cardíaca isquêmica, causada pelo estreitamento das artérias coronárias. Todos tiveram redução dos sintomas, e metade também teve melhora na função cardíaca.
O que acontece agora
A equipe de Sawa planeja repetir o procedimento em 75 pacientes até 2033 para confirmar a eficácia e a segurança da técnica. O Japão também aprovou outro tratamento experimental com células iPS no início do ano, segundo o Metrópoles.
No Brasil, pesquisadores também avançam com a terapia. Uma equipe já usa células-tronco para tratar complicações de transplante de medula.
Outro estudo brasileiro mostrou resultados promissores com transplante de células no tratamento do Parkinson.






























