A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu disputar o Centrão "por dentro" nesta sexta-feira (9), mirando dissidentes de PP, União Brasil e Republicanos depois que as cúpulas dos três partidos declararam apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno.

O porta-voz da campanha, Camilo Santana, afirmou a jornalistas no QG de Lula, no Lago Sul (Brasília), que "muitos parlamentares" dessas siglas apoiam o petista, apesar da posição oficial contrária das direções nacionais.

O mais importante para nós é a mobilização do povo. Vamos virar esse jogo.

O exemplo mais citado é o do governador da Paraíba, Lucas Ribeiro (PP), reeleito no 1º turno e já reduzindo o tom partidário no estado. Ele afirmou que não vai deixar o apoio a Lula, mesmo com a federação União-Progressista fechada com Flávio.

Camilo Santana afirmou ainda que o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), vai apoiar o presidente. O presidente do PT, Edinho Silva, conversou com o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, e o do PSD, Gilberto Kassab.

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Segundo Edinho, Kassab afirmou que o PSD ficará neutro no 2º turno, mas que o PT tem liberdade para procurar lideranças da sigla. O Republicanos, segundo ele, "ainda está definindo a posição".

O que motiva a aposta nos dissidentes

A federação PP-União Brasil fechou apoio a Flávio Bolsonaro no fim da semana passada. O Centrão confirmou a aliança também com o Novo, mas a adesão das cúpulas não se repete entre todos os filiados nos Estados.

A estratégia tenta evitar que a adesão das cúpulas se traduza automaticamente em votos no 2º turno, segundo o formato de coletivas que a campanha testou nesta sexta e pretende repetir.

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A ofensiva sobre os dissidentes ocorre dias depois de Lula trocar a coordenação da campanha, que havia chamado de "desorganizada".

O que acontece agora

O 2º turno entre Lula e Flávio Bolsonaro acontece em 25 de outubro. No 1º turno, Flávio teve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%, segundo o TSE.

A campanha de Lula prevê repetir o formato de coletivas com jornalistas ao longo das próximas semanas, segundo Camilo Santana.