O vício em apostas entre adolescentes brasileiros é um tema que vem ganhando atenção, especialmente após dados alarmantes revelarem que mais de 1 milhão de jovens entre 14 e 17 anos já participaram de jogos de apostas em 2025. Segundo o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas realizado pela Unifesp, 55,2% desses jovens estão em risco ou já apresentam transtornos associados ao vício.
Raízes na infância
De acordo com especialistas, o vício em apostas muitas vezes não se origina na adolescência, mas tem raízes que remontam à infância. A psicanalista Jailza Peguim destaca que os primeiros anos de vida são fundamentais na formação da criança, e a falta de um olhar acolhedor de cuidadores pode gerar lacunas emocionais que se manifestarão posteriormente.
Jailza explica que o olhar maternal é vital para que o bebê reconheça e integre suas emoções. A tecnologia, especialmente as telas, não substitui esse acolhimento, oferecendo apenas estímulos que não promovem a conexão necessária. Essa falta de interação pode se transformar em um ambiente propício para o surgimento de compulsões durante a adolescência.
O papel da tecnologia
As apostas, ao contrário das redes sociais, introduzem um elemento adicional: a recompensa imprevisível. Essa incerteza é um dos fatores que alimenta a compulsão, dificultando o controle sobre o comportamento. Flávia Anjos, outra psicanalista da Sow Saúde Integral, ressalta que o sofrimento dos adolescentes frequentemente é acompanhado por sentimentos de vergonha e problemas financeiros.
Os sinais de alerta do vício em apostas incluem comportamentos como a verificação compulsiva do celular, irritação após apostar, insônia e dificuldades de concentração nos estudos. Muitas vezes, a família tende a culpar a tecnologia, desviando a atenção das falhas na comunicação e nos laços afetivos.
A importância da intervenção
Para as famílias que já enfrentam o vício em apostas na adolescência, a solução não deve ser a culpa ou o controle excessivo, mas sim a busca por ajuda especializada. Segundo os especialistas, os mecanismos envolvidos nesse tipo de vício são complexos e requerem um acompanhamento adequado.
A escola também desempenha um papel crucial, podendo identificar mudanças de comportamento de forma precoce e ajudar a conectar a família a essa realidade. O apoio mútuo e a compreensão são essenciais para lidar com esse problema crescente entre os jovens.




