Um estudo conduzido pela Unicamp indicou que a suplementação com HMB (beta-hidroxi-beta-metilbutirato) antes de cirurgias para remoção de parte do fígado pode melhorar a recuperação e resistência do órgão a novas lesões. A pesquisa, que utilizou camundongos como modelo, demonstrou que o uso do suplemento preserva a produção de energia nas células hepáticas e favorece a qualidade da regeneração do tecido.

O que é o HMB?

O HMB é um metabólito derivado da leucina, um aminoácido essencial. Embora apenas 5% da leucina ingerida se converta em HMB no organismo humano, a suplementação tem sido utilizada para preservar a massa muscular em situações como envelhecimento e recuperação de doenças. No entanto, os efeitos clínicos em humanos ainda são modestos e carecem de estudos mais robustos.

Metodologia da pesquisa

Na pesquisa, os camundongos foram suplementados com HMB por 10 dias, recebendo uma dose equivalente à recomendada para humanos. Após isso, 70% do fígado dos animais foi removido. Os resultados mostraram que os camundongos que receberam o suplemento apresentaram uma recuperação metabolicamente mais eficiente em comparação aos que não foram suplementados.

Resultados e implicações

Os benefícios da suplementação se tornaram mais evidentes após uma segunda agressão ao fígado, quando os animais foram expostos a doses elevadas de paracetamol. Aqueles que receberam HMB mostraram menos danos e melhor desempenho metabólico. Segundo o professor Igor Luchini Baptista, que orientou a pesquisa, os resultados indicam que a qualidade da regeneração foi aprimorada, não necessariamente a rapidez.

Importância das mitocôndrias

A preservação das mitocôndrias, responsáveis pela produção de energia celular, foi um dos principais fatores para a melhora observada. Em situações de estresse, como cirurgias, a manutenção da função mitocondrial é crucial para a sobrevivência celular e a recuperação do tecido. Os dados sugerem que o fígado tratado com HMB está mais preparado para enfrentar novos desafios.

Próximos passos da pesquisa

Apesar dos resultados promissores, Baptista alerta que os estudos ainda foram realizados em modelo animal e não podem ser diretamente aplicados a humanos. O próximo passo é realizar investigações clínicas para determinar a eficácia do HMB em pacientes. A pesquisa contribui para um entendimento mais amplo sobre como nutrientes podem influenciar a resposta do organismo a estresses, como cirurgias e doenças.