O turismo brasileiro alcançou um marco histórico em abril de 2026, com um faturamento de R$ 23,2 bilhões, o maior já registrado para o mês na série histórica. Em comparação com abril de 2025, o crescimento foi de 2,7%, e no acumulado do primeiro quadrimestre o setor avançou 3,6% segundo levantamento da FecomercioSP com dados do IBGE.

Destaques do mês

O transporte aéreo de passageiros desabrochou como o segmento mais lucrativo, gerando R$ 6,9 bilhões em receita, o que representa um aumento de 3,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Este resultado positivo ocorreu mesmo com um crescimento modesto de 1,8% na demanda doméstica, a menor variação para abril desde 2021.

Aumento nos custos operacionais

O avanço no faturamento do transporte aéreo foi impulsionado pela elevação de 9% na tarifa média dos bilhetes, consequência do aumento significativo no preço do QAV (Querosene de Aviação), que subiu de R$ 3,33 para R$ 6,50 o litro devido ao agravamento do conflito no Oriente Médio. Apesar disso, as companhias aéreas ainda não repassaram o total desse custo aos passageiros.

Resultados em hospedagem e alimentação

Os meios de hospedagem também apresentaram um desempenho positivo, registrando R$ 5,3 bilhões em faturamento, com um crescimento de 2,6%. Este resultado foi impulsionado por um aumento de 2% na diária média, que compensou a leve queda na taxa de ocupação. Já o setor de alimentação voltada ao turismo movimentou R$ 3,6 bilhões, com uma expansão de 5,2%, beneficiado pela melhora no mercado de trabalho.

Desempenho regional

Na análise regional, desconsiderando o transporte aéreo, o turismo nos Estados brasileiros totalizou R$ 16,3 bilhões, com um crescimento de 2,3% em relação ao ano anterior. São Paulo se destacou, movimentando R$ 6,6 bilhões, o que representa 41% do total nacional, com um aumento de 2,4% impulsionado pelo turismo corporativo e de eventos.

Projeções para o futuro

Para o restante de 2026, a FecomercioSP prevê uma expansão do setor entre 4% e 5%, sustentada pelo consumo das famílias e pela estabilidade do mercado de trabalho. Entretanto, a principal preocupação para o ano permanece sendo o cenário geopolítico no Oriente Médio e seus impactos nos custos globais de energia. A análise detalhada dos dados, incluindo os efeitos da guerra no Irã e os preparativos para a Copa do Mundo de 2026, será publicada na edição de junho da Carta Setorial da entidade.