A Polícia Federal (PF) identificou o publicitário Thiago Miranda, ex-sócio do jornalista Léo Dias, como o principal articulador de uma campanha clandestina em defesa do Banco Master, que teria como objetivo manipular a opinião pública e intimidar jornalistas. A operação Compliance Zero, que levou a essa descoberta, resultou em mandados de busca e apreensão na última quinta-feira (9.jul.2026).

Estratégias de Intimidação

Segundo informações da PF, Miranda coordenava uma estrutura que utilizava recursos financeiros de fraudes associadas ao Banco Master. O grupo oferecia até R$ 2 milhões a jornalistas e influenciadores para que publicassem conteúdos favoráveis ao banco ou questionassem o Banco Central devido à liquidação da instituição financeira.

As investigações revelaram que ações específicas foram direcionadas à jornalista Malu Gaspar, do O Globo, com o intuito de neutralizar reportagens que pudessem prejudicar a imagem do Banco Master, gerido por Daniel Vorcaro. Se houvesse recusa em participar, o grupo utilizava informações sigilosas coletadas de forma ilícita para intimidar os alvos.

Monitoramento de Dados Pessoais

Além das propostas financeiras, a PF detalhou que Miranda e Vorcaro planejavam coletar informações pessoais e profissionais sobre Malu Gaspar. O monitoramento incluía dados sobre sua renda, movimentações financeiras e até informações sobre seus filhos, com o objetivo de expor e descreditar a jornalista publicamente.

O uso de plataformas clandestinas para coletar dados foi registrado, assim como tentativas de barrar conteúdos jornalísticos. Miranda abordou a jornalista Consuelo Dieguez, da revista Piauí, pedindo que retirasse uma reportagem sobre Vorcaro, mas foi ignorado. Em outra ocasião, o publicitário conseguiu que Renato Breia removesse um conteúdo, comemorando o feito nas redes sociais.

Relação com Daniel Vorcaro

Em depoimento à PF, Miranda relatou que conheceu Vorcaro quando este tentou comprar o portal de notícias de Léo Dias. Após isso, ofereceu seus serviços para gerenciamento de imagem. Recentemente, Miranda anunciou sua saída do Grupo Léo Dias de Comunicação, dois dias antes da operação.

A defesa de Miranda nega todas as acusações, afirmando que ele sempre pautou sua atuação pela legalidade e transparência, e que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. A nota enfatiza que a investigação não comprova culpa antecipada.

Operação Compliance Zero

A operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Banco Master, foi autorizada pela 10ª Vara Federal de Brasília em novembro de 2025. Desde então, várias fases da operação resultaram em prisões e apreensões significativas, incluindo a detenção de executivos da instituição e a análise de propostas de delação premiada de Vorcaro, atualmente preso.

O caso tem gerado grande repercussão e continua em investigação, com a PF buscando desmantelar a estrutura de fraude e intimidação que operava em favor do Banco Master.