Adolfo Sachsida, economista e ex-ministro, apresentou em entrevista ao Bastidores CNN o Projeto Brasil, um abrangente conjunto de 200 medidas com o objetivo de enfrentar o desequilíbrio fiscal do país. Segundo ele, esse será o maior desafio do próximo governo, que terá que lidar com a relação dívida/PIB como um indicador fundamental da solvência nacional.

O que é o Projeto Brasil?

O Projeto Brasil será entregue ao próximo presidente eleito a partir de 3 de novembro, e conta com a colaboração de cerca de 100 voluntários organizados em 25 grupos temáticos. As medidas envolvem propostas legislativas como PECs e projetos de lei, focadas em consolidar o lado fiscal da economia, aumentar a produtividade e promover a inclusão social.

Ajuste fiscal e gastos públicos

Sachsida enfatizou que o ajuste fiscal necessário deve ser alcançado por meio da redução dos gastos públicos, ao invés de aumentar a carga tributária, que já se aproxima de 33% do PIB. Ele argumenta que essa carga elevada faz com que os cidadãos trabalhem um dia a cada três apenas para pagar impostos, o que é insustentável.

Reformas e metas econômicas

O economista também se posicionou contra novas reformas da previdência, alegando que os aposentados já enfrentaram mudanças significativas anteriormente. Ele propôs a criação de uma regra fiscal baseada na relação dívida/PIB, que ativaria gatilhos automáticos caso a dívida superasse limites estabelecidos.

Visão sobre a meta de inflação

Questionado sobre a meta de inflação, Sachsida defendeu a manutenção do patamar atual de 3% ao ano, advertindo que elevar essa meta resultaria em juros mais altos, prejudicando a economia. Ele expressou preocupações com a reforma tributária, sugerindo que a unificação do PIS e da COFINS na CBS poderia ser um avanço, mas se opôs à implementação do IBS por questões federativas.

Preparação para o futuro

Por fim, Sachsida fez um paralelo entre o Projeto Brasil e ações de outros governos que, em seus primeiros dias de mandato, lançaram pacotes de medidas para sinalizar compromisso com a responsabilidade fiscal. Ele acredita que o Brasil tem potencial para atrair investimentos significativos, desde que mostre um compromisso claro com a consolidação fiscal e se prepare para os desafios da revolução tecnológica.