Brasileiros que foram sancionados pelo governo dos Estados Unidos por vínculos com o PCC (Primeiro Comando da Capital) utilizaram a plataforma Zelle, um serviço de transferências digitais norte-americano, em operações financeiras suspeitas de lavagem de dinheiro. Essa informação foi revelada na decisão judicial que autorizou a operação Exchange, realizada na última sexta-feira (3.jul.2026).
Mensagens e comprovantes
Mensagens coletadas de celulares dos investigados mencionam o uso do Zelle para transferências internacionais relacionadas a pagamentos de entorpecentes. Conversas atribuídas a Ygor Fokin Saviolli, um dos alvos da Justiça, indicam que o Zelle foi empregado para movimentações suspeitas.
Funcionamento do Zelle
O Zelle é uma rede de pagamentos operada pela Early Warning Services, uma empresa pertencente a um consórcio dos maiores bancos dos Estados Unidos, como Bank of America e JPMorgan Chase. A plataforma permite que usuários enviem dinheiro diretamente de uma conta bancária para outra utilizando o número de telefone ou e-mail do destinatário.
Comprovante de depósito
Durante a investigação, a PF identificou um comprovante de depósito no valor de US$ 10.002 feito pelo Zelle para uma conta do Bank of America. Esta descoberta foi parte da operação Exchange, que aconteceu dois dias após o governo dos EUA bloquear bens e empresas dos investigados sob sua jurisdição.
Colaboração internacional
A operação da PF foi baseada em informações do Departamento de Segurança Nacional dos EUA, que apontaram para um esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico internacional de drogas, utilizando criptoativos. Saviolli é considerado um dos principais articuladores da venda de drogas, com seu telefone celular apreendido em uma fiscalização no Aeroporto Internacional de Fort Lauderdale.
Relações entre investigados
O relatório da PF indica que Victor Shimada é um dos líderes financeiros do PCC no Brasil, transacionando remessas de drogas e lavando dinheiro por meio de empresas de fachada. A investigação revelou que Shimada pode ter movimentado R$ 1,9 bilhão com sua empresa Victory Trading, e mantinha relações diretas com Saviolli para articular remessas de valores provenientes da venda de haxixe.




