No primeiro semestre de 2026, a demanda por carros usados permanece robusta, impulsionada pelos altos preços dos novos veículos e pelas dificuldades de crédito. Conforme dados do IBV Auto, os preços dos automóveis leves subiram 3,49% em comparação ao mesmo período do ano anterior, quando a alta foi de 1,98%.

Desempenho do setor

O indicador, elaborado pelo banco BV, revela que apenas em junho os preços tiveram um incremento de 0,57%, superando a alta de maio, que foi de 0,43%. Com uma valorização acumulada de 6,87% ao longo de 12 meses, o mercado mostra sinais de resiliência, embora a velocidade de crescimento tenha diminuído.

Alternativa viável para consumidores

Esse cenário favorece os carros seminovos, especialmente em um contexto onde muitos consumidores ainda enfrentam barreiras para adquirir veículos zero-quilômetro. Apesar da recuperação nas vendas de novos, os altos preços e o custo do financiamento mantêm os usados como uma opção mais acessível para muitos compradores.

Aumento regionalizado

O crescimento dos preços dos usados não se restringe a uma única região do país. Todas as cinco regiões brasileiras apresentaram alta em junho, com o Sudeste liderando a valorização mensal com um aumento médio de 0,83%. Minas Gerais destacou-se com uma valorização de 1,64% apenas em junho, impulsionada por modelos populares como o Chevrolet Onix e o Volkswagen Gol.

Valorização seletiva

De acordo com Jamil Ganan, vice-presidente de Varejo do banco BV, a valorização dos usados agora depende mais das características específicas de cada modelo e das dinâmicas regionais. Modelos como Renault Kwid e Volkswagen Fox contribuíram para a alta, enquanto Honda HR-V e Hyundai HB20 apresentaram desvalorização.

Desvalorização dos elétricos

Em contraste com os usados a combustão, os veículos elétricos têm enfrentado uma forte desvalorização. Modelos lançados em 2023 já registram uma queda de 46,1% em seu valor de mercado, bem acima dos híbridos, que desvalorizaram 26,1%, e dos veículos a combustão, com uma baixa de 19,6%. Essa diferença é ainda mais acentuada em modelos de 2022, onde os elétricos perderam 50,5% do valor.