A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um alerta nesta quarta-feira (8) sobre o aumento alarmante nos casos de câncer, que pode quase dobrar até 2050. Segundo o relatório, são estimados 20,6 milhões de novos casos e quase 10 milhões de mortes anuais por conta da doença.

Um cenário preocupante

Atualmente, o câncer é a segunda maior causa de morte em todo o mundo, superado apenas por doenças cardiovasculares. A OMS destaca que, sem medidas urgentes, o total de casos anuais pode alcançar cerca de 35 milhões na metade deste século.

Desigualdade no acesso ao tratamento

O relatório, produzido em parceria com a Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (Iarc), também aponta para as desigualdades existentes no acesso à prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer. Milhões de pessoas continuam sem os serviços essenciais que necessitam.

Medicamentos inacessíveis

Os medicamentos para o tratamento do câncer são, muitas vezes, inacessíveis. Nos países de alta renda, a disponibilidade dos 20 medicamentos prioritários varia entre 68% e 94%. Em contrapartida, em nações de baixa e média-baixa renda, esse acesso fica entre 9% e 54%.

Sobrevivência e dificuldades financeiras

O relatório também revela que 87% das mulheres diagnosticadas com câncer de mama sobrevivem por cinco anos em países ricos, enquanto apenas cerca de 42% conseguem o mesmo em países pobres. Além disso, pelo menos 45% das pessoas afetadas enfrentam dificuldades financeiras devido à doença.

Recomendações para ação

Elisabete Weiderpass, diretora da Iarc, ressalta que, apesar de algumas reduções nas taxas de câncer em países com políticas de prevenção, o progresso é lento. A OMS recomenda que a prevenção do câncer seja uma prioridade política, e oferece várias sugestões para a implementação de políticas públicas eficazes.

Prioridades para o futuro

Entre as recomendações estão a integração do controle do câncer à cobertura universal de saúde, investimento na formação de profissionais e garantir acesso equitativo aos avanços no tratamento. Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, enfatiza que a sobrevivência ao câncer não deve depender da localidade ou da renda do paciente.