A Polícia Federal (PF) revelou um esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que incluiu 3.366 beneficiários já falecidos em listas de cobranças. Essa informação é parte do relatório final da Operação Sem Desconto, ao qual a TV Sim Brasil teve acesso.

Funcionamento do esquema

De acordo com as investigações, a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) enviou pedidos de desconto para beneficiários que já faleceram há pelo menos 90 dias. Isso indica que não havia um processo de validação adequado das informações antes do envio para o sistema do INSS.

Programas utilizados

A Conafer utilizava programas como Mais Pecuária Brasil e Mais Previdência Brasil para coletar dados de aposentados e pensionistas. Estas informações eram, então, inseridas em listas que eram encaminhadas ao INSS, visando a implementação de descontos associativos.

Consequências e prejuízos

Apesar de o relatório não esclarecer quantos dos 3.366 pedidos envolvendo falecidos conseguiram efetivamente resultar em descontos, a PF destaca que a presença desses nomes nas listas evidencia a falta de filtros adequados para impedir o envio de dados de beneficiários já falecidos.

Indivíduos indiciados

As investigações indicam que o esquema operava com a inclusão em massa de dados, sem a seleção individual de vítimas. A PF apura que o esquema pode ter gerado prejuízos superiores a R$ 700 milhões com descontos considerados indevidos em benefícios previdenciários.

Crimes atribuídos

Segundo a Polícia Federal, 52 pessoas foram indiciadas por crimes como organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro e inserção de dados falsos em sistemas de informação.