No último semestre, a Anfavea, associação que representa as montadoras no Brasil, expressou preocupação com o aumento das montagens de veículos utilizando peças importadas. O alerta foi emitido durante a divulgação dos resultados do setor, onde as projeções de venda e produção foram revisadas para cima.
Regimes de Montagem em Crescimento
Os regimes SKD (Semi Knocked Down) e CKD (Completely Knocked Down) estão no centro dessa discussão. O regime SKD permite que o veículo chegue quase montado ao país, recebendo apenas acabamentos finais, enquanto o CKD envolve a importação do carro totalmente desmontado em kits. Ambos os métodos ganharam relevância no último ano.
Dados da Anfavea indicam que, em janeiro, esses regimes representaram 2,5% da produção brasileira, mas em junho já somavam 5,3% do total, com 13 mil unidades produzidas. No segmento de veículos eletrificados, mais da metade da produção nos primeiros seis meses, ou seja, 54 mil dos 100 mil veículos, foi montada sob esses regimes.
Impactos no Emprego e na Produção Local
O presidente da Anfavea, Igor Calvet, destacou que, embora a entidade não se opõe à inovação tecnológica, como a introdução de veículos elétricos, é necessário reavaliar os incentivos para montagens simplificadas. “Temos que caminhar em direção a uma produção mais sofisticada, mas os incentivos atuais favorecem modelos que não promovem isso”, afirmou.
Recentemente, o governo federal prorrogou por seis meses as cotas de importação com alíquota zero para veículos eletrificados, o que representa um montante de US$ 463 milhões. Apesar disso, a Anfavea optou por não judicializar a questão, mas planeja questionar no Tribunal de Contas da União a falta de transparência na decisão.
Consequências para o Setor Automotivo
Calvet alertou que a mudança abrupta para esses novos regimes de montagem poderia resultar em uma perda significativa de empregos. Enquanto a fabricação completa gera, em média, dez postos de trabalho, as montagens sob CKD e SKD apenas geram cerca de três. Ele enfatizou que a adoção total desses modelos poderia levar à perda de 70% dos empregos diretos no setor automotivo.
Com a situação em constante evolução, o setor automotivo brasileiro enfrenta um cenário desafiador, onde o equilíbrio entre inovação e manutenção de empregos se torna crucial para o futuro da indústria.




