O Brasil está prestes a enfrentar uma das menores áreas de cultivo de trigo em quase uma década. Em 2026, a expectativa é de que a área semeada com esse cereal chegue a apenas 2 milhões de hectares, uma redução de 17% em comparação com a safra anterior, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Queda na produção e principais estados
Os estados do Paraná e Rio Grande do Sul, que lideram a produção nacional de trigo, também devem registrar quedas significativas na área de plantio. No Rio Grande do Sul, a área destinada ao trigo será de 879 mil hectares, representando uma diminuição de 24% em relação ao ano passado, enquanto o Paraná deve semear 722 mil hectares, 12% a menos.
Impacto na produção e importações
A redução na área cultivada resultará em uma produção estimada de apenas 6 milhões de toneladas do cereal, o que representa uma queda de 24% e o menor volume desde 2019. Em 2022, o Brasil havia alcançado uma produção de 10,6 milhões de toneladas, quase equiparando-se ao consumo interno.
Histórico e desafios do cultivo
Historicamente, na década de 1980, o Brasil chegou a ter o dobro da área cultivada com trigo em comparação aos números atuais. No entanto, a transição para o cultivo de milho, impulsionada por desafios como a baixa rentabilidade do trigo e a pressão dos moinhos sobre os preços, levou a essa diminuição.
Riscos climáticos e decisões dos produtores
A situação é ainda mais preocupante devido aos altos custos e riscos climáticos envolvidos no cultivo de trigo. Com a previsão de um El Niño intenso, há receios de que o excesso de chuvas na região Sul prejudique tanto a colheita quanto a qualidade do cereal, elevando a cautela dos produtores na hora de decidir sobre o plantio.
Expectativas de consumo e produção de grãos
Com a queda na produção, o Brasil deverá importar 6,9 milhões de toneladas de trigo, enquanto o consumo nacional é estimado em 11,8 milhões de toneladas. Além disso, a Conab e o IBGE divulgaram previsões para a produção total de grãos na safra 2025/26, com a Conab estimando 360 milhões de toneladas e o IBGE, 347,4 milhões.




