O Bank of America (BofA) revisou sua recomendação para as ações da B3 (B3SA3), passando de neutra para compra, após a significativa queda nos preços dos papéis. Segundo a análise, essa queda representa uma oportunidade atraente para os investidores.
Previsões de Valorização
A equipe de analistas do BofA aumentou o preço-alvo das ações, de R$ 20 para R$ 22, o que representa um potencial de valorização de cerca de 40%. Além disso, o banco estima um dividend yield (dividendo em relação ao preço da ação) de 10% para o ano de 2027.
Na tarde desta quarta-feira (15), as ações da B3 apresentavam uma alta de 2,61%, cotadas a R$ 15,73, destacando-se entre as maiores valorizações do Ibovespa. Desde seu pico em abril, os papéis acumularam uma queda de 23%, desempenho inferior ao do índice Ibovespa no mesmo período.
Valuation e Desempenho
Os analistas do BofA observam que o preço atual das ações aproxima-se das mínimas históricas em termos de valuation, com a empresa sendo negociada a aproximadamente 11,2 vezes o lucro projetado para 2027. Este valor se aproxima do piso de 10,6 vezes registrado no final de 2024.
O BofA argumenta que o mercado tem subestimado a capacidade da B3 de lidar com diferentes ciclos econômicos e taxas de juros. A empresa possui um modelo de negócio diversificado e defensivo, que pode sustentar o crescimento dos resultados mesmo em um cenário de juros elevados por mais tempo.
Composição das Receitas
De acordo com os analistas, apenas cerca de 30% das receitas da B3 são diretamente impactadas por uma redução nas taxas de juros. Em contrapartida, cerca de 10% das receitas se beneficiam de juros altos, enquanto aproximadamente 60% estão ligadas à atividade do mercado e serviços recorrentes, que são menos dependentes do ciclo monetário.
Essa diversidade nas fontes de receita tem contribuído para a resiliência dos lucros da empresa ao longo de diferentes ciclos de aperto e afrouxamento monetário. O BofA acredita que essa característica minimiza o risco de revisões negativas significativas nos resultados da empresa, mesmo que a taxa Selic se mantenha alta por mais tempo do que o esperado.
Projeções de Lucro
Além da análise operacional, o BofA também revisou suas projeções de lucro líquido para a B3, aumentando as estimativas para 2026 e 2027 em 5% e 6%, respectivamente. Essa revisão reflete uma expectativa de alíquota efetiva de imposto menor, próxima de 19%, após o anúncio de uma distribuição extraordinária de juros sobre capital próprio.
Com essas projeções, o banco espera um crescimento de receita de 14% em 2026 e de 8% em 2027, enquanto o lucro líquido deve avançar 26% em 2026 e 7% em 2027. Essas estimativas estão acima do consenso de mercado, que prevê um crescimento de 7% para 2026 e 6% para 2027.



